Tirar poeira dos móveis e varrer o chão pelo menos três vezes ao dia já virou rotina para a aposentada Nilde Rodrigues Galvão, de 69 anos. Ela mora há 26 anos na rua Felicidade Maria dos Santos, no Conjunto Habitacional Manoel Pires, em Araçatuba. Apesar de ter sido inaugurado na década de 1990, o local ainda tem quatro ruas sem pavimentação asfáltica.
O marido da aposentada tem 86 anos, é acamado devido a complicações da doença de Alzheimer e sofre de problemas respiratórios, que segundo ela são agravados devido à terra. "Eu tento manter tudo limpo, o tempo todo. Mas, basta passar um carro na rua que tudo volta a ficar sujo de novo. Meu marido sofre demais com isso", relata.
Fernanda de Oliveira Lavra, 25, é vizinha da dona Nilde. Além da poeira, ela reclama dos buracos na via, que afirma não receber manutenção há anos. "Eu já perdi as contas de quantas vezes o pneu da minha moto furou por causa dos buracos e das pedras", conta a dona de casa.
Foram justamente as pedras soltas que obrigaram a moradora Thaís Varela, 35, a colocar uma proteção de alumínio no portão da casa onde reside. Ela explica que as pedras vão em direção às casas sempre que passa algum veículo na rua. "Isso é perigoso, pois pode machucar alguém", alerta.
Thaís Varela reitera que a poeira é outra grande vilã para a família, já que todo mundo sofre com algum problema respiratório. "Eu tenho uma sobrinha recém-nascida e sou obrigada a manter portas e janelas fechadas o tempo todo para que ela, tão frágil, não tenha problemas".
No tempo em que a reportagem ficou no bairro para ouvir as reclamações dos moradores, foi possível vivenciar um pouco da realidade relatada por eles. Qualquer veículo que passa pela rua, em baixa velocidade ou mesmo mais acelerado, faz com que a poeira suba e atrapalhe a respiração.
COMÉRCIO AFETADO
O comerciante Aparecido Batista, 62, mora na rua José Barbosa dos Santos, a mais extensa do bairro. Ele é proprietário de uma mercearia, um dos poucos estabelecimentos comerciais do local.
Batista conta que a falta de asfalto interfere no movimento de clientes, principalmente em dias de chuva. "Quando chove, isso aqui vira lama e não tem como alguém se deslocar de carro ou a pé. A gente vive à mercê dessa realidade, pois só ouvimos promessas de que o asfalto vai chegar, mas nunca chega", protesta.
Em dias secos, limpar prateleiras e varrer o chão pelo menos quatro vezes ao dia é uma forma de amenizar as consequências do problema. "Tudo fica empoeirado e eu preciso deixar tudo limpo para oferecer um bom atendimento".</CS>
MATO E INTERDIÇÃO
A poucos metros da mercearia, mais duas ruas sem asfalto: Agnelo Rodrigues Fernandes e Aprígio Cardoso, a primeira rua do bairro. Além da terra e do mato, ambas são separadas por uma espécie de valetão. Com quase dois metros de profundidade, não possui qualquer tipo de proteção lateral e oferece riscos aos pedestres e motoristas.
O início da rua Aprígio Cardoso, em um cruzamento com a rua José Barbosa dos Santos, está interditado por causa de erosão, tornando o trecho intransitável. Duas placas de interdição foram colocadas no local pela prefeitura, segundo os moradores, mas nenhuma obra de reparo aconteceu.
Em nota, a Prefeitura de Araçatuba informou que , depois de fazer um trabalho de equilíbrio das contas e busca de verbas para obra, está iniciando o programa de obras que vai atender a toda cidade, inclusive o bairro Manoel Pires.
Segundo a Prefeitura, até o final do ano, será dado início a uma série de obras e serviços no trânsito ?da cidade, cujo investimento total é de R$13.655.294,68. As ações incluem recapeamento de ruas e avenidas em várias localidades, operação tapa-buracos, bem como revitalização semafórica e implantação de sinalização horizontal e vertical.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.