A prática de exercícios físicos deve ser tratada como parte do cuidado médico com a saúde cerebral, e não apenas como uma recomendação genérica de estilo de vida. A defesa é de pesquisadores das universidades canadenses de Ottawa e Toronto, em artigo publicado nesta terça-feira (3) na revista científica Brain Health.
Os especialistas argumentam que a atividade física tem efeitos sobre diferentes áreas do funcionamento cerebral, incluindo memória, cognição, saúde emocional e comportamento. Para eles, a orientação médica deve especificar o tipo de exercício, a frequência, a intensidade, a duração e os cuidados necessários, além de prever acompanhamento.
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Atividade física pode beneficiar memória e saúde mental

O artigo reúne evidências de diferentes pesquisas sobre a relação entre exercícios e funcionamento cerebral. Um estudo clínico publicado em 2011, realizado com adultos mais velhos, apontou que a prática de exercícios aeróbicos aumentou o volume do hipocampo anterior, região do cérebro relacionada à memória.
Os pesquisadores também destacam resultados de uma análise de ensaios clínicos de 2024, segundo a qual atividades como caminhada, corrida, ioga e treinamento de força contribuíram para reduzir sintomas de depressão. As intervenções com exercícios também foram associadas à redução da ansiedade e do sofrimento psicológico.
A publicação dá atenção especial às pessoas com esquizofrenia e outros transtornos mentais graves. Segundo os especialistas, esse público apresenta índices elevados de sedentarismo e doenças cardiometabólicas. Nesses casos, a atividade física pode contribuir simultaneamente para a saúde física, a cognição e os sintomas psiquiátricos.
Quanto exercício é recomendado?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. A orientação também inclui exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que pessoas com depressão podem enfrentar dificuldades para começar a se exercitar devido à falta de energia e motivação. Por isso, sugerem iniciar com atividades simples, como uma caminhada de cinco minutos, exercícios realizados sentados em uma cadeira ou passeios com o cachorro.

Para Nicholas Fabiano, pesquisador da Universidade de Ottawa, o mais importante é estabelecer metas possíveis e construir o hábito gradualmente. A proposta dos especialistas é que os profissionais de saúde considerem a atividade física uma intervenção estruturada, com orientações individualizadas e acompanhamento, levando em conta as condições e limitações de cada paciente.