O Samu de Piracicaba realizou 943 atendimentos relacionados à saúde mental entre 6 de julho e 17 de outubro de 2026. Os chamados envolveram situações como episódios psicóticos, tentativas de suicídio, agitação psicomotora, agressividade e quadros graves de depressão, que podem exigir intervenção especializada e encaminhamento adequado na rede de saúde.
Desde fevereiro, o serviço conta com plantão de psiquiatria durante 18 horas por dia. Antes, a assistência especializada funcionava em plantões esporádicos. Com a mudança, médicos psiquiatras passaram a participar diretamente da regulação dos chamados relacionados a crises psiquiátricas, auxiliando na avaliação de cada situação.
A atuação ocorre tanto por telefone, com orientações a pacientes, familiares e profissionais, quanto presencialmente, quando necessário. Segundo a médica Bruna Rossi, responsável pelo serviço de emergência psiquiátrica, a integração com as equipes de Saúde Mental e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também contribuiu para melhorar a comunicação e organizar os fluxos de atendimento.
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Protocolos ajudam a individualizar o cuidado

Um dos resultados relatados pela equipe é a redução dos acionamentos recorrentes em alguns casos. Bruna cita o exemplo de uma paciente que chegou a ligar para o Samu até dez vezes em uma mesma semana. Após conversas telefônicas, aplicação de protocolos e uma abordagem individualizada, a frequência dos chamados diminuiu consideravelmente. O caso ilustra a importância de compreender as necessidades de cada pessoa, em vez de limitar o cuidado à resposta imediata a cada ocorrência.
O trabalho também envolve capacitação de profissionais do Samu, das UPAs e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), por meio do Núcleo de Educação em Urgência (NEU). A Guarda Civil participou de treinamentos voltados ao manejo de crises de saúde mental, com técnicas destinadas a qualificar a abordagem e favorecer um atendimento humanizado.
A experiência de Piracicaba foi apresentada no 1º Congresso Internacional do Samu, realizado em Brasília, e despertou o interesse de equipes de outros municípios. Profissionais de Araraquara e Porto Feliz estiveram na cidade para conhecer o protocolo adotado. A iniciativa busca fortalecer a integração com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e aprimorar o encaminhamento de pessoas em sofrimento psíquico.
Com a combinação de atendimento especializado, protocolos e capacitação, o serviço procura oferecer respostas mais adequadas às emergências psiquiátricas e melhorar a articulação entre os profissionais envolvidos no cuidado. Para pacientes e familiares, a organização desse atendimento é importante para orientar a condução das crises e facilitar o acesso aos serviços de saúde necessários.