Rubens Ometto Silveira Mello, fundador da Cosan e presidente do conselho de administração do grupo, foi o maior doador pessoa física das eleições de 2026. O empresário destinou R$ 6,6 milhões a campanhas eleitorais e diretórios partidários, valor inferior aos repasses registrados nos pleitos de 2018 e 2022. A redução ocorre em um período de dificuldades financeiras para empresas ligadas ao empresário, entre elas a Raízen, controlada pela Cosan em parceria com a Shell.
O valor doado neste ano ficou abaixo dos R$ 7,5 milhões registrados em 2018 e dos R$ 7,4 milhões de 2022, conforme os dados apresentados nos levantamentos sobre as contribuições eleitorais. Considerada a inflação, a diferença é ainda maior: o montante de 2018, corrigido monetariamente, supera em 74% o total destinado em 2026, enquanto o valor de 2022 é 33% superior ao atual.
A redução nas doações coincide com um cenário de endividamento das empresas associadas a Ometto. Em março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar mais de R$ 61 bilhões em dívidas. Em julho, a Justiça de São Paulo homologou o plano, permitindo a reestruturação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em compromissos financeiros com bancos e investidores.
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Crise empresarial e financiamento político

No fim de 2025, a própria Cosan havia buscado uma injeção bilionária de capital junto ao BTG Pactual e à gestora Perfin para reduzir seu endividamento. Embora o contexto financeiro ajude a dimensionar o momento vivido pelo grupo empresarial, não há elementos suficientes para afirmar que a crise tenha sido a causa direta da diminuição das contribuições eleitorais de Ometto.
Em 2026, o empresário distribuiu recursos entre 30 candidaturas e oito diretórios partidários, totalizando 38 destinatários. Diferentemente de outros pleitos em que financiadores podem apoiar disputas de diferentes níveis, Ometto concentrou suas doações individuais em candidatos ao Legislativo federal e estadual. Não houve repasses diretos a candidatos à Presidência da República, a governos estaduais ou ao Senado.
Os recursos foram destinados a políticos de diferentes legendas e regiões do país. Entre os partidos contemplados estão PSD, PL, Republicanos, PP, PT, MDB, Podemos, PSDB, PSB e Novo. Além das contribuições individuais, os repasses aos diretórios permitiram que parte do dinheiro fosse destinada às estruturas partidárias nacionais e estaduais.
Candidatos eleitos e derrotados

O levantamento divulgado pelo g1 mostra que 13 dos 30 candidatos financiados individualmente por Ometto foram eleitos, sendo nove deputados federais e quatro deputados estaduais. Outros 14 não conquistaram uma vaga, enquanto três terminaram a disputa como suplentes em assembleias legislativas. O resultado indica que o financiamento eleitoral não se traduziu em vitória para a maioria dos candidatos apoiados diretamente pelo empresário.
Entre os eleitos estão Pedro Lupion (Republicanos-PR), que recebeu R$ 300 mil; Gustinho Ribeiro (PP-SE), também contemplado com R$ 300 mil; e Carlos Zarattini (PT-SP), que recebeu R$ 200 mil. A lista inclui ainda nomes como Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Sergio Souza (MDB-PR), que também receberam recursos do empresário.
Os 13 candidatos eleitos receberam, juntos, R$ 1,7 milhão. Já os 14 derrotados somaram R$ 1,95 milhão em doações, enquanto os três suplentes receberam R$ 450 mil. Entre os candidatos que não conseguiram se eleger estão Onyx Lorenzoni (PP-RS), Hugo Leal (PSD-RJ) e José Dirceu (PT-SP), que receberam R$ 100 mil cada. Levi Oliveira (PP-SE), contemplado com R$ 500 mil, também não conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados.
Partidos e estados beneficiados
O PSD foi a legenda com o maior número de candidaturas beneficiadas individualmente por Ometto, com cinco repasses. PL e Republicanos aparecem na sequência, com quatro candidatos contemplados cada. Já o PP recebeu o maior volume financeiro entre as siglas que tiveram candidatos beneficiados, segundo o levantamento.
Além das doações diretas, Ometto destinou R$ 2,5 milhões a oito diretórios partidários. O maior repasse foi de R$ 1 milhão para a direção nacional do MDB. Também receberam recursos diretórios estaduais do Republicanos em Mato Grosso, do PL em Tocantins e do PP em Mato Grosso do Sul, entre outras estruturas partidárias.
A distribuição geográfica das contribuições teve concentração em São Paulo, estado que reuniu mais de um terço dos candidatos beneficiados. Sergipe, Mato Grosso e Paraná também aparecem entre os destinos frequentes dos recursos. Os dados mostram que, mesmo com a redução do valor total em relação a eleições anteriores, Ometto manteve presença entre os principais financiadores individuais de campanhas no país.