Can Xue aparece na liderança de diferentes mercados de apostas para o Nobel de Literatura de 2026, cujo vencedor será anunciado pela Academia Sueca nesta quinta-feira (8). O nome da escritora chinesa é seguido por autores de diferentes gerações e países, entre eles Haruki Murakami, Gerald Murnane, Cristina Rivera Garza e Enrique Vila-Matas. As cotações, porém, não representam informações oficiais sobre os candidatos considerados pela Academia e podem mudar de acordo com a casa consultada.
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Can Xue, pseudônimo de Deng Xiaohua, nasceu em 1953 e ganhou reconhecimento por uma literatura experimental que se distancia do realismo tradicional. Sua produção reúne romances, contos e textos de crítica, com referências a nomes como Dante Alighieri, Jorge Luis Borges e Franz Kafka. No Brasil, seu romance Histórias de amor no novo milênio foi lançado em 2025 pela Fósforo e apresenta uma narrativa de atmosfera onírica ambientada em uma cidade industrial marcada pela precariedade.

Entre os demais favoritos está Haruki Murakami, um dos autores japoneses mais conhecidos internacionalmente. Nascido em Kyoto, em 1949, ele publicou obras como Kafka à beira-mar, 1Q84 e Do que eu falo quando falo de corrida. Sua literatura combina elementos cotidianos, referências musicais e situações fantásticas. Em 2026, o escritor também lançou A história de Kaho, romance ainda sem edição brasileira e que tem uma mulher como narradora, uma novidade em sua trajetória.

A mexicana Cristina Rivera Garza também ganhou espaço entre os nomes cotados. Radicada nos Estados Unidos, ela trabalha em uma fronteira entre literatura, memória, investigação e ensaio. Entre seus livros publicados no Brasil estão O invencível verão de Liliana, vencedor do Pulitzer, e Autobiografia do algodão. No primeiro, a autora parte do assassinato da irmã para reconstruir sua história; no segundo, investiga episódios ligados à trajetória de seus antepassados na região entre México e Estados Unidos.

Outro nome presente nas listas é o espanhol Enrique Vila-Matas, de 78 anos. Nascido em Barcelona, ele desenvolveu uma literatura que frequentemente aproxima ficção, ensaio e reflexão sobre o próprio ato de escrever. Livros como Bartleby e companhia e Montevidéu exploram personagens, autores e situações relacionadas ao universo literário, em uma obra que transforma a própria literatura em matéria narrativa. Seus títulos são publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Completa o grupo o australiano Gerald Murnane, de 87 anos, escritor especialmente associado ao romance As planícies. Publicado no Brasil pela Todavia, o livro acompanha um cineasta interessado no interior da Austrália. A produção posterior do autor aprofundou uma escrita mais próxima do ensaio e das memórias pessoais, abordando temas como religião, relações familiares e corridas de cavalo. Murnane também mantém hábitos pouco comuns no processo de criação: não utiliza computador e escreve seus livros em máquina de escrever.
As listas de apostas, entretanto, continuam abertas a outros nomes, e o resultado oficial só será conhecido quando a Academia Sueca fizer o anúncio na quinta-feira (8).