TERMÔMETRO POLÍTICO

Atos políticos: direita está tendo maior adesão? VEJA

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 3 min
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Dados de monitoramento realizados desde 2024 indicam que atos organizados por lideranças e movimentos de direita têm reunido, na maior parte do período, públicos superiores aos da esquerda.
Dados de monitoramento realizados desde 2024 indicam que atos organizados por lideranças e movimentos de direita têm reunido, na maior parte do período, públicos superiores aos da esquerda.

A força das manifestações de rua voltou ao centro do debate político nacional. Dados de monitoramento realizados desde 2024 indicam que atos organizados por lideranças e movimentos de direita têm reunido, na maior parte do período, públicos superiores aos da esquerda. Ainda assim, episódios recentes mostram um cenário menos desigual do que no início da série histórica.

O tema voltou à discussão após o ato “Acorda, Brasil”, realizado em 1º de março de 2026, na Avenida Paulista. Convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a mobilização reuniu aproximadamente 22,8 mil pessoas. O protesto teve como alvos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O maior pico de mobilização

O maior público registrado no período ocorreu em 25 de fevereiro de 2024, quando um ato com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu entre 300 mil e 350 mil pessoas na capital paulista. A manifestação marcou o auge da mobilização conservadora em meio às investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

Após esse pico, os números passaram a oscilar em patamares menores, mas ainda elevados. Ao longo de 2024 e do primeiro semestre de 2025, atos da direita variaram entre cerca de 58 mil e 60 mil participantes.

Em 7 de setembro de 2025, já com Bolsonaro em prisão domiciliar, uma nova mobilização levou 48,8 mil pessoas à Avenida Paulista, número superior ao registrado no evento mais recente, em março de 2026.

A reação da esquerda

Se em 2024 os atos da esquerda registraram adesão tímida, como no 1º de maio, que reuniu cerca de 1,7 mil pessoas, o cenário mudou ao longo de 2025. O maior público progressista do período foi registrado em 21 de setembro de 2025, quando uma manifestação contra a chamada “PEC da Blindagem” reuniu mais de 43 mil pessoas na Avenida Paulista. A proposta, aprovada na Câmara dos Deputados, acabou sendo rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e posteriormente arquivada.

Outro momento de mobilização ocorreu em 14 de dezembro de 2025, em protesto contra o chamado “PL da Dosimetria”, que havia sido aprovado dias antes na Câmara. O texto foi vetado pelo presidente Lula em 8 de janeiro de 2026, data que marcou três anos dos atos extremistas registrados em Brasília em 2023.

Diferença diminuiu em 2025

Embora a direita tenha mantido vantagem numérica desde 2024, a distância entre os dois campos ideológicos caiu de forma significativa ao longo de 2025. No auge dessa aproximação, a diferença entre os públicos foi inferior a 6 mil pessoas.

Os dados indicam que a direita segue com maior capacidade de mobilização nas ruas. No entanto, o crescimento das manifestações da esquerda ao longo de 2025 demonstra que o cenário permanece dinâmico e fortemente influenciado por decisões do Congresso Nacional, do Judiciário e pelo ambiente político.

Com o país ainda marcado pela polarização, a Avenida Paulista segue como principal vitrine da disputa por narrativa e apoio popular, e os próximos atos devem continuar funcionando como termômetro do humor político nacional.

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