10 de outubro de 2026
SANTUÁRIO NACIONAL

'Que ninguém venha a Aparecida alimentar divisões', diz arcebispo

Por Da redação | Aparecida
| Tempo de leitura: 4 min
Thiago Leon/Santuário Nacional de Aparecida
Arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva

O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, fez um apelo contra a polarização política e os discursos de ódio às vésperas do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na próxima segunda-feira (12).

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele afirmou que deve-se ir ao Santuário Nacional de Aparecida motivados pela fé, e não para alimentar conflitos relacionados à disputa eleitoral.

“Que ninguém venha a Aparecida para alimentar divisões ou animosidades, mas para renovar a fé, fortalecer a esperança e aprender com Maria a construir um Brasil mais fraterno, justo e solidário”, declarou o religioso.

Empossado em 2 de maio deste ano, dom Mário vai comandar pela primeira vez as celebrações da Padroeira do Brasil como arcebispo de Aparecida, no Vale do Paraíba. A festa ocorre em meio à repercussão de uma polêmica eleitoral envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A controvérsia começou com a circulação de uma notícia falsa segundo a qual Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O boato recuperou um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victorio Galli, arquivado no ano seguinte, e ganhou força nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026.

Lula explorou o episódio para reafirmar que a santa continuaria como padroeira do país. Flávio negou a intenção atribuída a ele e recorreu à Justiça. O caso também chegou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Arcebispo pede respeito às diferenças

Questionado pela Folha sobre a possibilidade de a disputa eleitoral se refletir nas romarias, dom Mário afirmou que as eleições presidenciais coincidem com as celebrações de Nossa Senhora Aparecida a cada quatro anos, mas defendeu que o calendário político não tire o foco da devoção religiosa.

“Ano após ano, a Mãe continua sendo o centro das nossas celebrações”, afirmou.

Para o arcebispo, o Santuário Nacional deve ser um espaço de acolhimento, independentemente das preferências políticas dos visitantes. Segundo ele, todos são recebidos como peregrinos, com respeito às diferenças.

O religioso também pediu que os fiéis evitem hostilidades e aproveitem a data para se aproximar de pessoas que pensam de maneira diferente.

“O dia 12 de outubro nos convida a fazer dessa festa um momento de aproximar-se de alguém que pensa diferente de nós, sem hostilidade nem preconceito”, disse.

Dom Mário defendeu ainda o combate às ofensas e aos discursos de ódio dentro das famílias, nas comunidades e nas redes sociais. Para ele, a unidade cristã não significa que todos precisem concordar sobre os mesmos assuntos, mas que reconheçam a dignidade uns dos outros.

Leia mais: VÍDEO: No Vaticano, papa confia os brasileiros a Nossa Senhora

Leia mais: Alckmin vai a missa em Aparecida dia 12; vice de Flávio cogita ir

Primeira festa como arcebispo

A celebração deste ano representa um momento especial para dom Mário, que receberá milhares de devotos na primeira Festa da Padroeira desde que assumiu o comando da Arquidiocese de Aparecida.

“É uma grande alegria e, sobretudo, uma missão. Estar à frente dessa celebração é servir à Igreja e acolher os filhos e filhas que vêm à casa da Mãe Aparecida”, afirmou.

O arcebispo disse que espera que os peregrinos encontrem no santuário um ambiente de oração, agradecimento e renovação da esperança. Ele também destacou que a experiência religiosa deve produzir resultados concretos na vida cotidiana, por meio da solidariedade e do cuidado com o próximo.

“Passar um dia na casa da Mãe Aparecida é para nós um privilégio, mas também um compromisso”, declarou, ao defender atitudes como oferecer companhia a pessoas solitárias e ajudar quem enfrenta dificuldades.

Dom Mário não antecipou o conteúdo da homilia da missa solene desta segunda-feira, marcada para as 9h. Em sua posse, em maio, no entanto, ele abordou um tema de forte impacto social: a violência contra a mulher.

Na ocasião, classificou como vergonhoso o número de feminicídios registrados no Brasil e defendeu o enfrentamento da violência contra as mulheres.

Leia mais: Flávio Bolsonaro deve ficar em Brasília no Dia da Padroeira

Leia mais: Lula resiste a visitar a Basílica de Aparecida antes do 1º turno

Políticos em Aparecida

Os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro não devem participar das celebrações em Aparecida nesta segunda-feira. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), integrante da chapa de reeleição, confirmou presença, assim como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Até a publicação da reportagem, a agenda do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) não havia sido divulgada.

Apesar da ausência dos principais candidatos à Presidência, o esquema de segurança será reforçado durante o feriado religioso. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, quase 660 policiais militares devem atuar na cidade entre sábado (10) e segunda-feira (12).

A Polícia Militar e a PRF (Polícia Rodoviária Federal) também devem utilizar helicópteros para reforçar a segurança dos romeiros.

No ano passado, quase 500 mil fiéis visitaram o Santuário Nacional entre 1º e 12 de outubro. Desse total, 152 mil estiveram no local apenas no Dia da Padroeira.

Para este ano, a concessionária RioSP e a PRF estimam que mais de 40 mil peregrinos percorram a pé trechos da Rodovia Presidente Dutra em direção a Aparecida.