07 de outubro de 2026
TAUBATÉ

Bombeiro que matou Bruno pode pegar até 30 anos de prisão, diz MP

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Bombeiro (à esq.) e Bruno (à dir.), com o filho no colo

O Ministério Público de São Paulo denunciou o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, pelo homicídio qualificado do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos. Caso a Justiça aceite a denúncia e o acusado seja condenado, a pena para o crime pode chegar a até 30 anos de reclusão.

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A peça acusatória foi protocolada pelo promotor Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo e formaliza o pedido para que o militar se torne réu por homicídio duplamente qualificado: por motivo fútil e por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

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No documento, o promotor destacou que o crime foi motivado por uma "mera discussão de trânsito, circunstância cotidiana incapaz de justificar a extrema violência empregada". Além disso, a Promotoria pontuou que o acusado surpreendeu a vítima ao quebrar o vidro do veículo e efetuar os disparos em meio a uma repentina escalada do desentendimento, reduzindo as chances de reação.

Apresentação à polícia e restrição eleitoral

Marcos se apresentou nesta terça-feira (6) em um quartel da Polícia Militar na capital paulista. Ele permaneceu sob custódia da unidade até o comparecimento da autoridade policial responsável para o cumprimento do mandado de prisão preventiva.

A ordem de prisão havia sido decretada pela Justiça após recurso do MP contra a liberdade provisória concedida ao militar na audiência de custódia inicial.

No entanto, o cumprimento do mandado precisou aguardar o fim da restrição prevista pelo Código Eleitoral (Artigo 236), que impede a prisão de eleitores nos cinco dias anteriores e nas 48 horas posteriores ao primeiro turno das eleições, ocorrido no domingo (4).

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Estudante foi morto após briga de trânsito

Bruno foi morto a tiros na manhã de 30 de setembro, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté, durante uma discussão de trânsito. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Marcos foi preso em flagrante e é investigado por homicídio doloso. Na audiência de custódia, recebeu liberdade provisória com medidas cautelares: comparecimento periódico à Justiça, recolhimento domiciliar à noite e nos fins de semana e proibição de deixar a comarca.

O caso é investigado pela Polícia Civil. A arma relacionada à ocorrência foi apreendida, e a Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local. A defesa sustenta que o bombeiro interpretou a situação como tentativa de assalto e agiu em legítima defesa.

Histórico de violência

Marcos já havia sido citado em ocorrências de conflitos no trânsito. Em 2021, uma discussão teria começado depois que um motorista permaneceu parado por instantes após a abertura do semáforo. Conforme o registro, o bombeiro teria mostrado uma arma ao outro condutor. Em 2019, outro registro envolveu uma discussão depois que ele teria parado um veículo diante da garagem de uma moradora, impedindo a saída.

Os dois casos foram arquivados, sem denúncia do Ministério Público ou processo criminal. Por isso, não podem ser apresentados como condenações ou como prova de que ele tenha cometido os fatos relatados.

A defesa contesta a versão sobre o episódio de 2021. Segundo o advogado Claudio Rodrigues Moreira, Marcos afirma que houve apenas uma discussão e que sequer desceu do veículo. A defesa sustenta ainda que fatos anteriores devem ser tratados dentro de seu contexto jurídico, e não como antecedentes criminais.

Relatos de mulheres

Além dos registros policiais, mulheres procuraram OVALE para relatar supostas ameaças e agressões atribuídas ao bombeiro.

Uma autônoma de Taubaté afirmou ter sido ameaçada duas vezes em agosto, na mesma região onde Bruno foi baleado. Segundo ela, estava em uma moto elétrica com a filha de 11 anos quando foi fechada por um carro e, ao pararem em um semáforo, o motorista teria apontado uma arma em sua direção e feito ameaças. Ela disse que o mesmo motorista voltou a apontar uma arma ao reencontrá-la depois que deixou a filha na escola.

Outras três mulheres relataram experiências que atribuem a Marcos, incluindo supostas agressões e ameaças. Os relatos foram apresentados pelas próprias mulheres e não são tratados pela reportagem como condenações ou comprovação judicial dos fatos.

Bombeiro estava afastado

O Comando do 11º Grupamento de Bombeiros informou que Marcos não exercia funções no Vale do Paraíba e estava em licença sem vencimentos. Segundo a corporação, ele está afastado desde 13 de maio de 2026, quando o Diário Oficial publicou a licença para tratar de interesse particular.

O Corpo de Bombeiros afirmou ainda que condutas contrárias à preservação da vida, à legalidade e ao respeito à população são incompatíveis com os valores institucionais.