Dezenas de estudantes, médicos, familiares e amigos de Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, participaram de um ato por justiça na noite desta quinta-feira (1º), em Taubaté. A manifestação ocorreu em frente ao Bom Conselho, um dia após o estudante de Medicina ser morto a tiros durante uma discussão de trânsito.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Durante o protesto, os participantes pediram “Justiça” e chamaram o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, de “assassino covarde”. O militar é investigado pela morte de Bruno e recebeu liberdade provisória nesta quinta-feira após audiência de custódia.
A manifestação foi organizada por colegas da Faculdade de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté) e pelo grupo Mães Médicas de Taubaté. O objetivo foi homenagear Bruno, demonstrar solidariedade à família e cobrar esclarecimentos e responsabilização pelo crime.
A soltura do bombeiro foi um dos pontos de indignação entre os participantes. A Justiça determinou medidas cautelares, incluindo restrições de contato e aproximação dos familiares da vítima e suspensão do porte de arma.
Leia mais: Morto a tiros em Taubaté, Bruno sonhava ser médico; VEJA VÍDEO
Leia mais: VEJA: Vídeo mostra Bruno após ser baleado por bombeiro em Taubaté
Leia mais: Bruno: Mulher diz que foi ameaçada por bombeiro: 'Quer morrer?'
Leia mais: Taubaté: Bruno ia para prova de medicina quando foi morto a tiros
Com cartazes e manifestações de apoio à família, os participantes pediram justiça pela morte do estudante. O ato reuniu integrantes da comunidade acadêmica, profissionais da área da saúde e moradores de Taubaté.
A mobilização teve início entre colegas de Bruno e integrantes do grupo Mães Médicas de Taubaté, que reúne mais de 400 pessoas, segundo uma das organizadoras.
A médica Fabiana Freitas, mãe de um estudante de Medicina que conhecia Bruno e chegou a jogar futebol com ele, afirmou que a morte provocou forte comoção entre estudantes e profissionais.
“Estamos inconformados, machucados e tristes pela perda do Bruno, e vamos pedir justiça para ele. Nada pode trazê-lo de volta, mas podemos pedir por justiça”, afirmou.
A médica Anna Paula Carelli, formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté, também participou da mobilização e destacou o impacto da morte do jovem.
“Ter um filho morto tão brutalmente e por banalidade é estarrecedor”, afirmou.
A mobilização também levou à criação do grupo “Médicos por Bruno”, formado por profissionais e estudantes de Medicina.
Segundo a médica Andressa Lucci, a iniciativa partiu de integrantes do grupo Mães Médicas de Taubaté e dos próprios colegas de Bruno.
“A ideia é mostrar que a comunidade médica não vai esquecer facilmente do que aconteceu. Os colegas do Bruno e a família querem respostas, e com as respostas que seja feita a justiça”, afirmou.
Um perfil nas redes sociais também foi criado para divulgar informações e manifestações relacionadas ao caso.
Marcos Paulo foi preso em flagrante após a morte de Bruno, mas recebeu liberdade provisória nesta quinta-feira (1º), durante audiência de custódia em São José dos Campos.
A decisão impôs medidas cautelares ao bombeiro. Entre elas estão restrições de contato e aproximação dos familiares da vítima e a suspensão do porte de arma.
A defesa de Marcos sustenta que ele agiu em legítima defesa. Segundo a versão apresentada, o bombeiro teria acreditado que Bruno estava armado e reagido diante de uma suposta ameaça. A alegação será confrontada com depoimentos, imagens, perícias e demais provas produzidas durante a investigação.
Bruno foi baleado na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté.
Segundo o registro policial, o estudante dirigia um Chevrolet Prisma quando se envolveu em uma discussão de trânsito com o motorista de um Jeep Renegade, identificado como Marcos Paulo.
O bombeiro efetuou disparos contra Bruno. O estudante foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
A ocorrência foi registrada como homicídio, e a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte. A defesa do bombeiro afirma que ele agiu em legítima defesa.
Bruno cursava o quarto semestre de Medicina na Unitau. Aos 23 anos, era casado e tinha um filho de 2 anos.
Antes de ingressar na Unitau, ele havia iniciado a graduação em Medicina na Argentina e também estudado em uma universidade no Pará.
Familiares, amigos e colegas o descreveram como uma pessoa alegre, dedicada aos estudos e ligada à família.
Após a morte, estudantes participaram de uma missa e de uma vigília em homenagem ao jovem. A Unitau suspendeu as atividades do curso de Medicina e ofereceu acolhimento psicológico a estudantes e professores.
O sepultamento ocorreu nesta quinta-feira (1º), no Cemitério Memorial do Vale, em Jacareí. A investigação sobre a morte de Bruno continua sob responsabilidade da Polícia Civil.