01 de outubro de 2026
MORTE EM TAUBATÉ

Bruno: Mulher diz que foi ameaçada por bombeiro: 'Quer morrer?'

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Bruno Hashimura e o local onde ele foi baleado, em Taubaté

Uma autônoma de Taubaté afirma ter sido ameaçada duas vezes, em agosto, pelo mesmo bombeiro militar investigado pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos.

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Segundo o relato, o episódio ocorreu na Avenida do Povo, região onde Bruno foi baleado em razão de uma discussão de trânsito na manhã de quarta-feira (30). O estudante foi socorrido, mas não resistiu. O bombeiro foi preso.

A mulher contou que levava a filha de 11 anos para a escola em uma moto elétrica quando teria sido fechada pelo motorista de um carro preto. O episódio, segundo ela, aconteceu por volta das 6h40, pouco depois de sair de um semáforo.

“Ele veio e me fechou com o carro dele. Eu joguei a moto para o lado e meti a mão na buzina”, relatou. A autônoma disse que precisou desviar em direção ao canteiro para evitar uma queda com a filha na garupa. Ela dirigia uma moto elétrica.

Pouco depois, as duas partes teriam parado novamente em um semáforo. Foi nesse momento, segundo a mulher, que o motorista apontou uma arma para ela. O homem estava com uma mulher dentro do carro.

“Ele olhou para mim e apontou uma arma para fora e falou para mim: ‘Tá louca, você quer morrer? Quer?’”, afirmou.

Assustada, ela disse que subiu com a moto na calçada e chegou a trafegar na contramão para fugir do local e conseguir levar a filha até a escola.

Segundo encontro

Depois de deixar a filha na escola, a autônoma afirma que encontrou novamente o mesmo motorista em outro semáforo. Segundo ela, desta vez o homem estava sozinho no veículo e voltou a apontar a arma.

“E novamente ele apontou a arma para mim e falou novamente: ‘Você quer morrer? Quer?’”, contou.

Ainda conforme o relato, o homem teria mandado que ela deixasse o local. “Mete o pé. Vai, vaza com essa bosta. Vai, vai”, teria dito.

A mulher afirma que havia outros motoristas no local e que, diante do medo, saiu antes de o semáforo abrir. Ela parou num local próximo e permaneceu na calçada por algum tempo.

“Foi desesperador para mim”, disse. Segundo ela, o episódio fez com que mudasse os horários e os trajetos utilizados diariamente para levar a filha à escola.

Placa levou ao bombeiro

A autônoma conseguiu anotar a placa do carro e repassou a informação a um contato, que consultou um despachante. Três dias depois, segundo ela, recebeu a informação de que o proprietário do veículo era um bombeiro militar.

A orientação que recebeu foi para não procurar o motorista e deixar o episódio para trás. Com medo, ela decidiu não registrar boletim de ocorrência.

“Eu me senti muito ameaçada, intimidada, porque foram duas vezes que eu encontrei com ele. Mas eu pensei bem e resolvi não registrar o boletim de ocorrência. Fiquei com medo da reação dele”, afirmou.

A mulher diz que reconheceu o motorista ao acompanhar as notícias sobre a morte de Bruno na quarta-feira.

“Meu Deus, é o mesmo cara que me fechou ali na mesma região, na mesma rua e apontou a arma para mim duas vezes, me ameaçando”, relatou.

Morte de Bruno

Bruno cursava medicina e seguia para a faculdade para fazer uma prova de imunologia clínica quando se envolveu em uma discussão de trânsito na avenida Professor Walter Thaumaturgo, a Avenida do Povo, no bairro Independência.

Segundo o boletim de ocorrência, o estudante dirigia um Chevrolet Prisma prata e o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, estava em um Jeep Renegade preto. A ocorrência terminou com disparos contra Bruno, que caiu na calçada e foi socorrido ao Hospital Regional de Taubaté, mas morreu.

A informação registrada inicialmente pela polícia aponta cinco disparos. A arma atribuída ao investigado, uma pistola Taurus calibre .380, foi apreendida.

Marcos apresentou à polícia uma versão de legítima defesa. Segundo o relato registrado no boletim, ele afirmou ter acreditado que Bruno portava uma arma e que teria reagido após uma suposta investida contra ele.

No entanto, a autoridade policial destacou que não foi encontrada uma arma de fogo com Bruno ou dentro do Prisma. Um canivete retrátil de cabo azul ligado ao estudante foi apreendido, mas o boletim não registra que o objeto tenha sido utilizado como arma durante a discussão.

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Investigação analisa veículos

A investigação também analisa a dinâmica dos veículos, os vestígios encontrados nos carros e a sequência dos disparos. Exames periciais foram solicitados para esclarecer as circunstâncias da morte.

O caso é investigado como homicídio. Neste momento, a autoridade policial apontou, em tese, elementos que podem caracterizar homicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. O enquadramento poderá ser alterado conforme o avanço das investigações.

Ao relembrar o episódio que afirma ter vivido em agosto, a autônoma disse que passou a pensar no que Bruno pode ter enfrentado.

“Olha pelo que eu passei com ele, foram uns segundos de terror. Vivi um terror. Eu pensei nesse estudante. O que ele não deve ter passado”, afirmou.

“Independente de qualquer coisa que tenha acontecido, isso não justifica você agredir e chegar a tirar a vida de uma pessoa. Nada justifica”, completou.