11 de agosto de 2026
FEMINICÍDIO NO VALE

Adeus, Lívia: família agradece orações após morte brutal no Vale

Por Da redação | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução

A família da universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, agradeceu as orações e manifestações de solidariedade recebidas após o feminicídio que chocou Pindamonhangaba e o Vale do Paraíba.

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A jovem, estudante de Direito da Unitau (Universidade de Taubaté), foi morta a tiros na manhã desta segunda-feira (10), segundo a investigação, pelo ex-namorado, que já tinha sido alvo de uma medida protetiva.

“Agradecemos, desde já, todas as orações e manifestações de solidariedade nesse momento de dor e despedida”, afirmou a família em comunicado divulgado após a morte. A família também confirmou as cerimônias de despedida da jovem em Pindamonhangaba.

A morte de Lívia também provocou manifestações de pesar no meio acadêmico. A Associação Atlética Acadêmica e o Diretório Acadêmico de Direito da Unitau lamentaram a perda da estudante e prestaram solidariedade aos familiares, amigos e colegas.

“Manifestamos nossos mais sinceros sentimentos à sua família, aos seus amigos e colegas de faculdade. Que sua memória seja sempre lembrada com carinho e respeito”, divulgaram as entidades.

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Família agradece apoio após morte de Lívia

Em meio à dor provocada pelo assassinato, familiares de Lívia agradeceram as mensagens recebidas desde a confirmação da morte da jovem. Nas redes sociais, amigos e pessoas próximas também publicaram homenagens e destacaram a personalidade alegre da universitária.

Lívia era estudante de Direito e tinha o sonho de seguir carreira na advocacia. Aos 23 anos, era descrita por pessoas próximas como uma jovem cheia de vida, ligada à família e aos amigos e com diversos planos para o futuro.

“Como pode alguém fazer essa maldade com alguém tão cheia de vida?”, escreveu uma pessoa próxima nas redes sociais.

Outra mensagem destacou os sonhos interrompidos pela violência: “Que tragédia, tão nova e vem um covarde e acaba com os sonhos!”.

As homenagens também foram acompanhadas por pedidos de justiça e pela expectativa de que a investigação esclareça completamente as circunstâncias do crime.

Lívia foi morta a tiros em Pindamonhangaba

O feminicídio aconteceu por volta das 9h desta segunda-feira, na Rua São Sebastião, na região do Parque São Domingos, em Pindamonhangaba.

Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram chamados após relatos de disparos de arma de fogo e encontraram Lívia caída na via. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas a morte foi constatada ainda no local.

A perícia identificou aproximadamente três a quatro lesões provocadas por disparos. O corpo da universitária foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté para exame necroscópico.

As informações reunidas durante as primeiras diligências apontam que Lívia havia saído de uma academia e teria sido seguida pelo ex-namorado por alguns metros antes de ser atingida pelos tiros.

Lívia tinha medida protetiva contra o ex

Um dos principais elementos apontados no boletim de ocorrência é que Lívia já havia procurado a polícia por violência doméstica e possuía uma medida protetiva de urgência contra o ex-namorado, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos.

De acordo com relatos de familiares registrados pela polícia, Carlos Eduardo não aceitava o fim do relacionamento e já teria feito ameaças de morte contra a jovem.

O histórico de violência doméstica e a existência da medida protetiva serão analisados pela Polícia Civil. A investigação também deverá apurar se houve eventual descumprimento da ordem judicial antes do assassinato.

Mensagens, registros anteriores e outros elementos relacionados ao relacionamento do casal poderão ser incorporados ao inquérito.

Ex foi encontrado ferido em apartamento

Após o assassinato, policiais localizaram Carlos Eduardo em um apartamento em um condomínio no bairro Bela Vista, em Pindamonhangaba.

Um Chevrolet Prisma prata relacionado ao investigado estava estacionado em frente ao condomínio. Segundo o boletim, o motor ainda estava quente, indicando que o veículo havia sido utilizado recentemente.

Os policiais fizeram um cerco ao imóvel após receberem a informação de que o homem poderia estar armado. A equipe tentou convencê-lo a abrir a porta e conseguiu visualizá-lo por uma janela.

Segundo o registro policial, Carlos Eduardo estava ferido e coberto de sangue. Os policiais conseguiram retirá-lo do apartamento sem resistência.

Ele recebeu atendimento do Samu e foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba.

Revólver calibre .38 foi apreendido

Ainda conforme o boletim de ocorrência, Carlos Eduardo indicou aos policiais que o revólver estava sobre o gabinete da pia do banheiro.

No local, foi encontrado um revólver Taurus calibre .38 com quatro munições deflagradas no tambor.

A arma foi apreendida e encaminhada para perícia. A Polícia Civil também solicitou exame residuográfico nas mãos do investigado, procedimento que poderá auxiliar na apuração sobre eventual disparo de arma de fogo.

A perícia deverá comparar os vestígios encontrados no apartamento com aqueles recolhidos no local onde Lívia foi assassinada.

Nome de Lívia foi escrito com sangue no espelho

Um dos elementos que chamaram a atenção dos policiais durante a ocorrência foi encontrado no banheiro do apartamento.

Segundo o boletim, havia respingos de sangue no ambiente e o nome de Lívia estava escrito com o dedo no espelho.

O vestígio foi preservado para análise pericial. A Polícia Científica deverá confrontar esse material com os demais elementos encontrados no imóvel e na cena do feminicídio.

O nome escrito no espelho é tratado como um vestígio da investigação e, isoladamente, não permite determinar a motivação do crime ou toda a dinâmica dos acontecimentos.

Carta e celulares foram apreendidos

Além do revólver, policiais apreenderam celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia e outro relacionado ao investigado.

Também foram recolhidos uma camisa, uma carta manuscrita de duas páginas, datada de 12 de abril de 2026, uma cartela vazia de medicamento e pequenas porções de uma substância com aparência de maconha.

O boletim não divulga o conteúdo da carta nem estabelece, nesta fase, relação entre os objetos apreendidos e a motivação do feminicídio.

Os celulares poderão ajudar na reconstrução da relação entre Lívia e Carlos Eduardo e dos momentos que antecederam o assassinato, conforme os procedimentos legais aplicáveis.

Suspeito foi preso em flagrante

Após se ferir, Carlos Eduardo foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba. Segundo o relato policial, ele estava intubado, sob escolta da Polícia Militar e sem condições clínicas de prestar depoimento no momento da elaboração do boletim.

Mesmo internado, o homem recebeu voz de prisão em flagrante por feminicídio.

Os atos que dependem da participação do investigado deverão ocorrer quando houver condições clínicas para isso.

A Polícia Civil ficará responsável pelo andamento das investigações, que deverão esclarecer a dinâmica do crime, a motivação, o histórico de violência entre o casal e as circunstâncias que antecederam os disparos.

Quem era Lívia Berthoud

Lívia era estudante de Direito da Unitau e sonhava em se tornar advogada. A jovem era descrita por familiares, amigos e colegas como uma pessoa alegre, próxima das pessoas que amava e cheia de planos.

A morte interrompeu os projetos da universitária e provocou comoção entre estudantes, professores, familiares e amigos.

As entidades acadêmicas do curso de Direito da Unitau prestaram solidariedade à família e aos colegas de Lívia.

Nas redes sociais, as homenagens destacaram principalmente a juventude da estudante, sua alegria e os sonhos que foram interrompidos pela violência.

Como denunciar violência contra a mulher

Em situações de risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

O Ligue 180 recebe denúncias e oferece orientação sobre direitos e serviços da rede de proteção à mulher.

Familiares, amigos, vizinhos e testemunhas também podem comunicar situações de violência. A denúncia não precisa ser feita necessariamente pela vítima.

Medidas protetivas de urgência podem estabelecer restrições de aproximação e contato, além de outras determinações definidas pela Justiça de acordo com o risco identificado.