Uma angústia que ultrapassa 8 meses. Onde está Décio de Castro Santos Júnior? O jovem de 24 anos, morador da zona sul de São José dos Campos, está desaparecido desde o dia 18 de janeiro. Para a família do rapaz, encontra-lo seria uma forma de “dar descanso à alma”, como destacou sua irmã. Contudo, ela afirma que, juntamente de sua mãe, não alimenta mais a esperança de acha-lo com vida.
“Não acreditamos mais que o Décio esteja vivo, mas precisamos encontrar seu corpo. É uma forma dessa angústia acabar, das mentiras pararem e a gente conseguir, enfim, dar descanso para a alma dele”, disse a irmã do desaparecido, que pediu à reportagem para não ser identificada.
As mentiras, citadas por ela na fala que fez à reportagem, são referentes a informações antigas que apontavam para a possibilidade de Décio estar perdido na Cracolândia, em São Paulo. Ela, no entanto, reitera que essa versão não é verdade. “Vi até programas de televisão dando ênfase nessa versão. Isso não é verdade. A pessoa que acharam lá era parecida, mas já sabemos que não é ele”, disse.
Na conversa que teve com a reportagem de OVALE, a irmã de Décio relatou ainda que sua mãe, Sueli Leme, vive em “um estado de depressão profunda”. Entre remédios para sair de casa e dormir, a genitora permanece em um estado de “angústia diária”, como descreveu a filha.
“A minha mãe vive em função de uma resposta sobre ele. Ela toma remédio para dormir, me liga pedindo ajuda. A gente precisa de uma resposta para dar descanso a todos. Não sabemos mais o que fazer nem o que aconteceu com ele, mas temos certeza que algo sério aconteceu com ele”.
Por fim, a moça ainda relembrou os diversos problemas respiratórios do qual Décio tinha como asma, sinusite e rinite. Segundo ela, seria “impossível” ele ficar todo esse tempo desaparecido e sem algum tipo de assistência. “Ele não conseguiria sobreviver oito meses sem ajuda. Ele fazia tratamento pelo CAPS”.
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RELEMBRE A HISTÓRIA.
O drama enfrentado pela família de Décio teve início no dia 18 de janeiro. Sueli Leme, mãe de Décio, com quem o estudante morava, relata que foi trabalhar e, durante o expediente, recebeu diversas ligações do filho, muito apegado a ela.
Ao retornar para casa, já à noite, Sueli não encontrou o filho, que havia saído com a roupa do corpo e o celular. Ela notou que o estudante havia feito uma transferência bancária antes de sair e tentou localizá-lo, sem sucesso. Como o filho saía com frequência, Sueli decidiu ir dormir. Por volta das 3h, ela acordou e notou no celular uma ligação perdida de Décio, feita duas horas antes. Ao retornar, caixa postal.
Começava então uma angústia que no último dia 18 de agosto completou oito meses. Além disso, em paralelo com a procura, surgiram também diversos boatos e informações desencontradas sobre o paradeiro de Décio, que, segundo a família já tinha um histórico de depressão
INVESTIGAÇÃO.
A Polícia Civil obteve a informação de que Décio, no dia do sumiço, teria passado a noite em um hotel no centro de São José. A informação foi baseada no depoimento de uma motorista de aplicativo, que disse tê-lo transportado ao local, na Vila Piratininga. No caminho, o estudante teria parado para comprar bebidas alcoólicas. A versão da motorista foi corroborada por uma amiga do jovem, que confirmou que ele havia lhe chamado para beber no hotel. Ela negou porque tinha uma viagem internacional marcada para a manhã seguinte.
“O apelo que eu faço é que se alguém souber onde ele está, que entre em contato com a gente, com a família, pelo menos para dizer o que aconteceu para acalmar nosso coração. Já se vão quase cinco meses e nós não sabemos de nada, apenas achamos que algo de ruim aconteceu, porque não era típico dele sumir das redes sociais e abandonar tudo assim", disse Doris Guimarães, irmã do estudante.
Décio luta contra a depressão há três anos. Neste meio tempo, de acordo com a família, já tentou o suicídio. Semanalmente, o jovem recebia tratamento psicológico em uma unidade do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de São José.
Combate ao Suicídio: O CVV– Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. O telefone é 188 e o site é o www.cvv.org.br.
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