Antes da carga deixar o galpão, com destino a uma das centenas de lojas do grupo, o funcionário confere a ficha e a entrega ao 'boy', o responsável pelo transporte da mercadoria. Depois da entrega, o franqueado assina o recibo e retoma a venda no varejo. Ao final da semana, cada gerente precisa apresentar um relatório detalhado do lucro obtido em cada área. Nas teleconferências, os executivos debatem cifras milionárias.
O que parece descrever uma organização empresarial trata-se, na realidade, da estrutura e organização criada pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), originária do Vale do Paraíba, para lucrar alto com o tráfico de drogas -- sua principal fonte de receita.
Com o uso de uma espécie de rede de 'franquias', chamadas de 'lojas' (pontos de venda dos entorpecentes), a organização lucra milhões de reais, segundo investigações do Ministério Público. Além de atuar no varejo, com a venda direta para o usuário de droga, o PCC também é fornecedor e controla o mercado, buscando monopolizar o tráfico de crack, cocaína e maconha nas ruas.
"É crucial lembrar que todas as lojas (...) recebem o entorpecente única e exclusivamente do PCC. Assim, é importante imaginar, a titulo de exemplo, que as lojas do PCC não passam de franquias que só vendem o produto fornecido pelo PCC", diz trecho de acusação apresentada pelo MP na região de Suzano, em junho.
Com atuação internacional, o PCC mantém a mesma estrutura em todas as áreas de atuação, incluindo a '012' -- referente ao Vale do Paraíba.
TRÁFICO S/A.
Apurações recentes revelam que a facção é dividida em 'departamentos', chamados de sintonias -- cabe à chamada sintonia do progresso o controle do tráfico de drogas.
De acordo com o MP, a facção conta até mesmo com um sistema de auditoria para controlar as vendas nas 'lojas'. "O PCC dispõe de um verdadeiro exército de homens e mulheres, em geral jovens, para a produção individualizada das drogas e posterior entrega nos pontos de vendas gerenciados por integrantes da facção. (...) O sistema é de tal modo profissionalizado que o PCC conta com auditores e auditorias (...). Os cofres de todas as lojas são fotografados", diz relatório da investigação.
A facção conta com uma legião de 'soldados' que mantém em operação o nefasto e lucrativo mercado de venda de drogas.
POLÍCIA.
Além do MP, as forças de segurança afirmam manter uma vigilância constante da facção e definem o combate ao tráfico como uma 'prioridade'.
É preciso deter a facção, diz MP
(Promotor do Gaeco no Vale que investigou o PCC. Ele pediu para não ser identificado na matéria)
O PCC funciona como uma empresa. Ela tem um comando centralizado em líderes que agem com mão de ferro, mas que também têm uma visão comercial, descentralizando a atuação no crime. As filiais, se podemos chamar assim, estão espalhadas. Eles são cobrados por líderes da área que respondem aos líderes regionais que, por sua vez, obedecem o comando central. Essa organização tem que ser combatida.
BERÇO
Facção teve origem em 31 de agosto de 1993, depois de uma partida de futebol entre presos na região.
PIRANHÃO
No pavilhão anexo da Casa de Custódia de Taubaté, o Piranhão, os criminosos criaram o PCC.
FÁBRICA DE MONSTROS
O objetivo, segundo eles, era lutar contra a 'opressão' na unidade, que eles diziam ser a 'fábrica de monstros'.
EXPANSÃO
De acordo com apurações da polícia e MP, a facção hoje tem braços em todo o Brasil e também no exterior.
PCC