ATIRADOR ESTÁ PRESO

Taubaté: Bruno ia para prova de medicina quando foi morto a tiros

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução
Bruno tinha 23 anos e sonhava se formar médico
Bruno tinha 23 anos e sonhava se formar médico

O estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, estava a caminho da faculdade para fazer uma prova de imunologia clínica quando foi morto a tiros após uma discussão de trânsito em Taubaté, na manhã desta quarta-feira (30).

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“Hoje esse menino de 23 anos estava indo para a faculdade fazer prova de imunologia clínica, mas por uma briga de trânsito foi baleado com 2 tiros no coração”, lamentou a professora Ana Carolina da Matta Ain, da Faculdade de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté).

Bruno sonhava ser médico. O universitário foi atingido na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, no bairro Independência. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu.

A Polícia Civil investiga o caso como homicídio. O principal investigado é o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, que estava em um Jeep Renegade preto. Bruno dirigia um Chevrolet Prisma prata.

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O que aconteceu

Segundo o boletim de ocorrência, os dois se envolveram em um desentendimento durante o trajeto no trânsito antes dos disparos.

Equipes da Polícia Militar foram acionadas pelo Copom após relatos de tiros na Avenida do Povo. A informação inicial era de que dois homens estariam correndo pela via e de que havia um Chevrolet Prisma no local.

Quando os policiais chegaram, encontraram Bruno caído e ensanguentado na calçada, na altura do número 880. Um enfermeiro que passava pelo local prestou os primeiros socorros. O estudante foi levado ao Hospital Regional, onde morreu.

Pessoas que estavam nas proximidades disseram à polícia que haviam apenas visto Bruno caído e não presenciaram o momento dos disparos.

Versão apresentada pelo bombeiro

Marcos foi localizado nas proximidades, dentro do Jeep Renegade. Em uma manifestação informal aos policiais, segundo o boletim, ele afirmou que havia ocorrido uma discussão de trânsito e que teria sido ameaçado com uma faca. Naquele momento, disse que havia efetuado os disparos para se defender.

Posteriormente, quando a versão foi formalizada, o investigado informou que só prestaria declarações acompanhado de advogado.

No interrogatório registrado pela autoridade policial, Marcos apresentou outra descrição. Segundo ele, acreditou estar diante de uma tentativa de roubo.

O bombeiro afirmou ter visto nas mãos de Bruno um objeto de aparência prateada e imaginado que poderia ser uma arma de fogo. Ainda conforme seu relato, ele saiu do Jeep e se aproximou do carro do estudante.

Marcos disse que Bruno teria quebrado o vidro da porta do motorista e tentado investir contra ele. Na sequência, afirmou ter efetuado os disparos.

Polícia não encontrou arma de fogo com Bruno

A ausência de uma arma de fogo com Bruno ou dentro do Chevrolet Prisma é um dos pontos destacados pela autoridade policial.

Segundo o despacho, não foram encontrados elementos objetivos que indiquem que o estudante tenha anunciado um assalto ou exibido uma arma de fogo. O próprio investigado relatou ter visto apenas um objeto de aparência prateada, que interpretou como uma possível arma.

Um canivete retrátil com cabo azul foi apreendido durante a ocorrência e relacionado a Bruno. O objeto estava entre os itens recolhidos, juntamente com o celular do estudante.

O boletim, porém, não registra que o canivete tenha sido utilizado como arma durante a discussão.

Quem se aproximou de quem?

A dinâmica da movimentação dos veículos também é um dos pontos que serão analisados pela investigação.

Segundo os elementos reunidos inicialmente, não havia registro de que Bruno tivesse deixado o carro para abordar ou perseguir Marcos. O despacho aponta, ao contrário, que o bombeiro deixou o Jeep Renegade e se aproximou do veículo de Bruno antes dos disparos.

Também existe uma divergência sobre o estado do vidro da porta do motorista do Prisma, se estava aberto ou fechado durante o confronto. A perícia deverá analisar os vestígios encontrados no veículo para esclarecer a questão.

Quantos tiros foram disparados?

A autoridade policial registra inicialmente a ocorrência de cinco disparos. A informação ainda deverá ser confrontada com os resultados dos exames periciais.

A arma atribuída a Marcos foi apreendida: uma pistola Taurus calibre .380. Também foram recolhidos 14 cartuchos do mesmo calibre, descritos no boletim como íntegros e acondicionados no carregador da arma.

A quantidade de disparos será analisada em conjunto com outros elementos para reconstruir a dinâmica do confronto.

Perícia vai reconstruir a cena

A investigação ainda depende de exames para determinar com precisão o que aconteceu na Avenida do Povo.

Entre os pontos que deverão ser analisados estão a posição dos envolvidos, a trajetória dos tiros, a distância dos disparos, as condições dos vidros dos veículos e os vestígios encontrados nos automóveis.

Também foram solicitados exame residuográfico no investigado e perícias no local, nos veículos, na arma e nos demais objetos apreendidos.

A polícia realizou ainda o chamado auto de recognição visuográfica, procedimento utilizado para registrar e auxiliar na reconstrução da cena.

Legítima defesa não foi reconhecida nesta fase

Embora Marcos tenha apresentado uma versão relacionada a uma suposta ameaça, a autoridade policial afirma que não há, neste momento, elementos suficientes para reconhecer a legítima defesa.

O despacho ressalta que a conclusão poderá ser reavaliada após as perícias e a obtenção de novas provas.

Entre os elementos considerados estão a ausência de uma arma de fogo com Bruno, a falta de comprovação objetiva de uma agressão injusta e a circunstância de Marcos ter deixado o veículo e se aproximado do carro da vítima antes dos disparos.

Investigado será levado a presídio militar

O boletim identifica Marcos como investigado e registra que ele seria conduzido pela Força Tática ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. A autoridade policial pode pedir a conversão da prisão em preventiva.

O despacho aponta, neste momento da investigação, elementos que podem caracterizar, em tese, homicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima.

A classificação jurídica ainda pode ser alterada conforme o avanço da investigação e os resultados das perícias.

O caso ainda deverá esclarecer a sequência exata da discussão de trânsito, a aproximação dos envolvidos, o rompimento do vidro, o objeto visto por Marcos, a posição de cada um no momento dos disparos e a trajetória dos tiros.

Até o momento, o que está documentado é que Bruno foi baleado após um desentendimento de trânsito na Avenida do Povo, foi socorrido e morreu no Hospital Regional de Taubaté.

A versão apresentada pelo investigado é de que ele teria reagido a uma situação que interpretou como ameaça. A autoridade policial, porém, afastou provisoriamente a legítima defesa diante dos elementos reunidos até agora.

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