A possibilidade de formação de um ciclone bomba no Sul do Brasil colocou o Governo de São Paulo em estado de alerta e aumenta a preocupação com os impactos no Vale do Paraíba e Litoral Norte.
O fenômeno, previsto para se intensificar entre sexta-feira (7) e sábado (8), pode provocar ventos de até 100 km/h, chuva, queda de temperatura e transtornos como destelhamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica e queda de árvores.
Diante do cenário, o Estado instalará um Gabinete de Crise a partir desta quinta-feira (6) para acompanhar a evolução das condições meteorológicas.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Leia mais: Ventania mata 3 em SP; RMVale registra morte, feridos e estragos
O que é um ciclone bomba?
Apesar do nome impressionar, o ciclone bomba não tem relação com explosões. O fenômeno é um ciclone extratropical que se intensifica rapidamente em razão de uma queda brusca da pressão atmosférica, processo conhecido pelos meteorologistas como ciclogênese explosiva.
Segundo o astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, Micael Cecchini, a formação começa quando uma massa de ar muito frio encontra uma massa de ar quente. O forte contraste entre as temperaturas provoca uma rápida redução da pressão atmosférica, favorecendo a intensificação do sistema.
Para que seja classificado como ciclone bomba, a pressão atmosférica precisa cair pelo menos 24 hectopascais (hPa), antiga unidade conhecida como milibar, em um intervalo de 24 horas.
Com essa intensificação acelerada, as tempestades tornam-se mais severas, aumentando o potencial para ventos intensos, chuvas fortes, raios, granizo e mar agitado.
Onde o fenômeno deve ocorrer?
A previsão indica que o sistema de baixa pressão começará a se organizar entre o norte da Argentina e o Paraguai antes de avançar para a região entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul.
Os ventos mais intensos devem ocorrer sobre o Oceano Atlântico, onde podem superar os 100 km/h. Já na faixa costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são esperadas rajadas superiores a 60 km/h.
À medida que o ciclone avança em direção ao oceano, uma frente fria associada ao fenômeno seguirá pelo Sul e Sudeste do Brasil, provocando queda nas temperaturas e mudanças nas condições do tempo.
Como o ciclone pode afetar o Vale do Paraíba?
Embora o centro do ciclone permaneça distante do estado de São Paulo, seus efeitos podem ser sentidos em diversas regiões paulistas, incluindo o Vale do Paraíba e o Litoral Norte.
Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), as primeiras rajadas mais fortes devem começar por volta das 14h desta quinta-feira (6), quando entra em vigor um alerta laranja para ventos de até 60 km/h.
O cenário mais crítico está previsto entre sexta-feira (7) e sábado (8), período em que será válido um alerta vermelho, com rajadas que podem atingir 100 km/h.
Além da ventania, a passagem da frente fria deverá provocar chuva de intensidade moderada. O acumulado previsto até domingo (9) pode chegar a 40 milímetros, principalmente nas regiões sul do estado e de Sorocaba.
Quais são os riscos?
Na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba), a principal preocupação é a combinação entre ventos fortes e áreas urbanas arborizadas, rodovias e regiões serranas.
Entre os principais impactos previstos estão:
- queda de árvores;
- interrupção no fornecimento de energia elétrica;
- destelhamentos;
- queda de postes, placas e outdoors;
- bloqueios em rodovias e vias urbanas;
- danos em estruturas mais vulneráveis.
No Litoral Norte, a agitação marítima também deve aumentar, elevando o risco para embarcações, pescadores e pessoas que frequentam praias e costões. As condições adversas ainda podem provocar reflexos nas operações portuárias e aeroportuárias.
Outro ponto de atenção é o risco de propagação de incêndios. Mesmo com previsão de chuva, os ventos intensos podem favorecer o avanço rápido de focos de fogo em áreas de vegetação.
Governo instala gabinete de crise
Diante da previsão de tempo severo, o Governo de São Paulo anunciou a instalação de um Gabinete de Crise a partir desta quinta-feira (6).
A estrutura reunirá representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, concessionárias de energia, agências reguladoras e demais órgãos estaduais para monitorar a evolução do fenômeno e coordenar respostas rápidas em caso de ocorrências.
Como se proteger durante a ventania
A Defesa Civil orienta que a população evite permanecer próximo de árvores, postes, fios elétricos, placas, outdoors e estruturas que possam ser derrubadas pelos ventos.
Motoristas devem redobrar a atenção, principalmente em rodovias, áreas abertas e trechos de serra, onde as rajadas costumam ser mais intensas.
No Litoral Norte, a recomendação é evitar entrar no mar, permanecer em costões e suspender atividades de navegação enquanto as condições permanecerem adversas.
Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Também é possível receber alertas gratuitos da Defesa Civil por SMS. Basta enviar o CEP da residência para o número 40199.