GUERRA DO TRÁFICO

'Xeque-mate', zomba traficante após matar rival em SJC, diz Deic

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/Polícia Civil
Miqueias (no detalhe) foi morto em uma disputa do tráfico, afirma a polícia
Miqueias (no detalhe) foi morto em uma disputa do tráfico, afirma a polícia

A frase "Xeque-mate" marcou o desfecho de uma execução ligada à guerra do tráfico em São José dos Campos.

De acordo com a Polícia Civil, o autor da mensagem é o principal acusado de matar Miqueias Daniel Santana Serafim em uma emboscada planejada, após perseguir e monitorar a vítima por vários dias para vingar o assassinato do próprio primo.

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A Polícia Civil concluiu que o homicídio de Miqueias, morto a tiros no dia 16 de outubro de 2025 no Jardim Santa Maria, na zona leste de São José dos Campos, foi resultado de uma emboscada planejada e motivada pela disputa entre grupos ligados ao tráfico de drogas.

A investigação aponta que o principal acusado, Alisson Wilkson de Oliveira Paschoal, passou dias monitorando os passos da vítima, acompanhando sua rotina e aguardando o momento ideal para atacá-la. Após a execução, ele teria comemorado o crime enviando a mensagem "Check mate" (a grafia correta é "xeque-mate") a um contato e afirmado que havia vingado a morte do primo.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça, que decretou a prisão preventiva de Alisson. Na decisão, o juiz destacou a gravidade do crime, a periculosidade do investigado e o risco de novos delitos. O acusado já se encontrava preso por suspeita de envolvimento em outro homicídio ocorrido no mesmo bairro.

Guerra pelo tráfico deixou sequência de mortes

Segundo o inquérito policial, Miqueias foi encontrado morto às 12h33 na Rua Santa Maria. Ao lado do corpo, os peritos localizaram uma pistola calibre .380 carregada.

Os exames balísticos revelaram que a arma havia sido utilizada quatro dias antes no assassinato de João Domingos Quintino Silva, primo de Alisson. Para a Polícia Civil, os dois homicídios fazem parte da mesma sequência de violência provocada pela disputa entre traficantes na região.

As investigações apontam que João Domingos foi atraído para uma emboscada no dia 12 de outubro. Conforme a polícia, Alisson teria levado o primo ao local combinado, onde Miqueias efetuou os disparos. A motivação seria um conflito interno entre integrantes do tráfico.

Depois da morte do primo, Alisson teria decidido executar Miqueias como forma de vingança.

Conversas mostram perseguição antes do assassinato

A quebra do sigilo dos celulares apreendidos revelou uma série de mensagens consideradas decisivas pela Polícia Civil.

Dias antes do homicídio, Alisson informava a terceiros onde Miqueias estava, se permanecia armado e afirmava que não deixaria o bairro antes de "resolver" a situação.

Em uma das conversas, escreveu que, caso encontrasse a vítima novamente, "isso acaba". Em outra, afirmou que estava acompanhado de um comparsa, ambos armados, e que estava "ajeitando para pegá-lo".

Para os investigadores, o conteúdo comprova que a execução foi premeditada e que o suspeito acompanhava os deslocamentos da vítima até encontrar a oportunidade para matá-la.

"Deu certo" e "Check mate"

Pouco depois do horário da execução, um contato informou Alisson que Miqueias provavelmente havia sido morto após diversos disparos de arma de fogo.

Segundo o relatório policial, a resposta foi imediata: "Deu certo."

Na sequência, o investigado afirmou que havia vingado João Domingos e enviou a outro contato a mensagem "Check mate", acompanhada de uma figurinha.

Em outra conversa, a interlocutora pergunta se havia certeza de que Miqueias estava morto, enquanto ambos continuam comentando o crime.

Para a Polícia Civil, as mensagens reforçam os indícios da participação direta de Alisson no homicídio.

Foto armado e preocupação com provas

A investigação também identificou que, logo após o assassinato de João Domingos, Alisson enviou uma fotografia em que aparece armado.

Em mensagens posteriores, demonstrou preocupação com a possibilidade de existirem imagens da primeira execução. Segundo a polícia, ele afirmou que estaria "lascado" caso surgissem registros do crime.

Em outro trecho das conversas, disse acreditar que, após os acontecimentos, poderia viver "bem e feliz", declaração considerada relevante pelos investigadores.

Tráfico aparece como motivação central

A extração dos celulares também revelou diversas conversas relacionadas ao comércio de drogas.

Segundo a Polícia Civil, Alisson utilizava sua residência para armazenar entorpecentes e admitia traficar ao lado do primo João Domingos. Em uma das mensagens, afirmou que queria "ficar rico no tráfico".

O inquérito também reúne os antecedentes dos envolvidos.

Miqueias possuía registros por atos infracionais ligados ao tráfico e era investigado por associação criminosa, incêndio e novo caso de tráfico de drogas.

Já Alisson acumula registros desde a adolescência por tráfico de drogas e também responde por ocorrências de violência doméstica registradas em 2022 e 2024.

Justiça vê risco de novos crimes

Ao decretar a prisão preventiva, o juiz da Vara do Júri destacou que existem fortes indícios de que Alisson articulou e executou uma emboscada contra Miqueias, monitorando seus deslocamentos até o momento do assassinato.

Na decisão, o magistrado também ressaltou que a manutenção da prisão é necessária para preservar a ordem pública e evitar a continuidade da atuação criminosa em um contexto de violência relacionado ao tráfico de drogas na zona leste de São José dos Campos.

Relembre o caso

As investigações apontam que os homicídios de João Domingos Quintino Silva e Miqueias Daniel Santana Serafim fazem parte da mesma guerra entre traficantes no Jardim Santa Maria. Segundo a Polícia Civil, a sequência começou com a morte de João Domingos, executado em uma emboscada atribuída a Miqueias.

Quatro dias depois, o suspeito passou a ser perseguido por Alisson, que, conforme a investigação, planejou a vingança, monitorou a rotina da vítima e comemorou a execução enviando a mensagem "Check mate" logo após o crime.

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