Uma história marcada por alianças desfeitas, traição, vingança e disputa pelo comando do tráfico de drogas é o pano de fundo de dois homicídios registrados em outubro de 2025 no Jardim Santa Maria, na zona leste de São José dos Campos.
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A narrativa consta em um relatório da Polícia Civil que embasou a prisão preventiva de Alisson Wilkson de Oliveira Paschoal.
Segundo a investigação, o grupo formado por Alisson, seu primo João Domingos Quintino Silva e Miqueias Daniel Santana Serafim entrou em rota de colisão por dinheiro e poder, desencadeando uma sequência de execuções que terminou com dois mortos em apenas quatro dias.
A ruptura
De acordo com a investigação, João Domingos teria decidido deixar o tráfico de drogas, mas continuava reivindicando participação nos lucros da atividade criminosa. A exigência teria provocado um conflito direto com Miqueias e Alisson, que, segundo a polícia, passaram a enxergar o antigo parceiro como um obstáculo aos interesses da organização.
Os investigadores afirmam que a morte de João foi cuidadosamente planejada.
Conforme os autos, Alisson atraiu o próprio primo para uma emboscada utilizando sua motocicleta. No ponto combinado, Miqueias, escondido, efetuou os disparos que mataram João. A polícia sustenta que o homicídio foi resultado de uma ação conjunta dos dois investigados, motivada pela disputa interna dentro do tráfico.
Após o assassinato, um detalhe chamou a atenção dos investigadores: a pistola calibre .380 encontrada ao lado do corpo de Miqueias, dias depois, foi submetida a exame pericial. O confronto balístico concluiu que a arma havia sido utilizada justamente na execução de João Domingos.
Da parceria à vingança
A investigação aponta que a aliança entre Alisson e Miqueias não durou muito tempo.
Com a morte do primo, Alisson teria passado a planejar a execução do antigo comparsa. A polícia afirma que mensagens recuperadas dos celulares mostram um monitoramento constante da rotina de Miqueias, indicando onde ele estava, se permanecia armado e quais eram seus deslocamentos pelo bairro. Em uma das conversas, Alisson afirma que só retornaria à região quando "resolvesse" a situação. Em outra, diz que estava "ajeitando para pegá-lo".
As mensagens também revelam conversas sobre armas, pedidos para que conhecidos avisassem sobre a localização de Miqueias e demonstrações de preocupação em não ser identificado pela investigação policial. Segundo o relatório, Alisson chegou a afirmar que Miqueias "iria se ferrar", enquanto interlocutores torciam para que o plano fosse concluído.
O desfecho
Na tarde de 16 de outubro de 2025, Miqueias foi morto a tiros na Rua Santa Maria. Poucos minutos depois, conforme o relatório policial, uma pessoa informou Alisson por mensagem que havia ouvido diversos disparos e acreditava que Miqueias estivesse morto.
A resposta chamou a atenção dos investigadores.
"Deu certo", escreveu Alisson, segundo a extração dos dados do aparelho celular. Em outra conversa, ele afirma que havia "vingado João", declaração interpretada pela Polícia Civil como um indicativo de participação na morte do antigo aliado.
Logo após o crime, outra mensagem enviada por Alisson dizia apenas "Check mate", acompanhada de uma figurinha. Para a polícia, o conteúdo demonstra que ele comemorava a morte de Miqueias.
O que dizem as investigações
Além dos homicídios, as análises dos aparelhos celulares reforçaram, segundo a Polícia Civil, o envolvimento de Alisson com o tráfico de drogas.
Os investigadores afirmam que ele utilizava sua residência para armazenar entorpecentes e que, em diversas conversas, admitia atuar diretamente na comercialização das drogas. Em uma delas, teria afirmado que "tirou" o próprio primo porque ele "falava demais", além de manifestar o desejo de enriquecer com o tráfico.
O relatório ainda reúne antecedentes criminais atribuídos tanto a Miqueias quanto a Alisson, incluindo investigações por tráfico de drogas, associação criminosa, incêndio e violência doméstica.