APÓS MAIS DE 1 ANO

Taubaté pede indicações para Conselho da Igualdade Racial

Por Sessão Extra | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMT
Lei que criou Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial está em vigor desde maio de 2025, mas somente agora Prefeitura solicitou que entidades da sociedade civil indiquem representantes
Lei que criou Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial está em vigor desde maio de 2025, mas somente agora Prefeitura solicitou que entidades da sociedade civil indiquem representantes

Ofícios
A Prefeitura de Taubaté informou nessa quarta-feira (8) que está "oficiando presidentes" de entidades da sociedade civil para que sejam feitas "indicações de titulares e suplentes" para o Compir (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial).

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Entidades
A Prefeitura não informou quais entidades serão oficiadas para indicar representantes, mas afirmou que as indicações devem ser feitas até o fim de julho.

Reunião
As tratativas para dar andamento à composição do Compir foram definidas em uma reunião realizada no último dia 24 de junho com representantes da Secretaria de Governo e Comunicação.

Indefinição
Criado em 26 de maio de 2025, o Compir (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial) ainda não teve a composição definida pela Prefeitura. Segundo a lei, de autoria do ex-prefeito José Saud (PP), caberia à Prefeitura definir os sete conselheiros titulares que representariam o Poder Executivo e convidar entidades da sociedade civil para indicar os outros sete.

Conselheiros
Segundo a Prefeitura, os representantes da administração municipal já foram definidos - os nomes, no entanto, ainda não foram divulgados. Faltam ser definidos, então, os conselheiros que representarão a sociedade civil.

Conservadores
Saud enviou a primeira versão do projeto do Compir à Câmara em maio de 2022, a pedido de lideranças do movimento negro taubateano. Desde então, no entanto, vereadores conservadores passaram a criticar a proposta - esses parlamentares eram da base de apoio de Saud e também dão sustentação ao atual prefeito, Sérgio Victor (Novo).

Vagas
A primeira versão do projeto previa que, dos 14 conselheiros do Compir, sete seriam negros. Mas a proposta foi retirada por Saud da Câmara em fevereiro de 2023, após críticas de vereadores conservadores. A segunda versão do projeto, apresentada por Saud em setembro de 2023, reservava apenas cinco das 14 vagas para pessoas negras – o que permitiria que o órgão fosse composto por nove brancos e cinco negros, por exemplo.

Emenda
Na votação do projeto, em abril de 2025, já no governo Sérgio, uma emenda apresentada por vereadores conservadores retirou do texto a reserva de vagas para pessoas negras - a redação passou a dizer que o conselho "observará representatividade obrigatória de todos os segmentos étnicos constitutivos da formação histórica, cultural e social do povo brasileiro".

Mudança
A emenda também promoveu outras alterações que, na prática, desidrataram o projeto, desvirtuando a proposta original. Pela redação original do projeto, o conselho teria caráter consultivo e deliberativo. Com a aprovação da emenda, será apenas consultivo - ou seja, não terá poder de tomar decisões definitivas ou aprovar medidas.

Indicações
A proposta inicial previa que os representantes da sociedade civil seriam indicados por "entidades" que "reconhecidamente tenham atuação em pautas de defesa da integração racial e combate ao racismo". Um exemplo citado por vereadores, que se adequaria a essa redação, seria a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Já a emenda alterou o texto para "entidades ou grupos que representem segmentos étnicos constitutivos da formação histórico, cultural e social do povo brasileiro". Segundo parlamentares, isso abriria brecha, por exemplo, para indicações feitas por igrejas.

Promulgação
Após aprovação do projeto, o texto foi enviado para Sérgio Victor, que deixou de promulgá-lo dentro do prazo legal. Com isso, a lei foi promulgada pela Câmara e entrou em vigor em 26 de maio de 2025.

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