"Como mandar o filho para a escola com ameaças assim?".
O questionamento foi feito a OVALE pelo pai de um aluno da Escola Estadual Prof. Édera Irene Pereira de Oliveira Cardoso, no bairro São Judas Tadeu, na zona sudeste de São José dos Campos, palco de cenas de violência. Segundo estudantes e familiares, que cobram providências do poder público, a rotina na unidade é de medo e insegurança.
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Nesta última quinta-feira (5), como revelou OVALE, uma briga entre estudantes terminou com um aluno pegando uma faca na cozinha da escola. Houve pânico entre alunos e funcionários. A Polícia Militar foi acionada.
O episódio gerou forte repercussão entre famílias de estudantes, e alguns pais afirmam que preferiram não enviar os filhos para a escola com medo de novos episódios de violência. Uma mãe contou que diversos estudantes ficaram em casa após a confusão. “Minha filha não foi. Na verdade, vários alunos disseram que não iriam por medo”, afirmou.
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Briga mobilizou polícia e deixou alunos assustados
De acordo com testemunhas, durante a confusão um estudante teria ido até a cozinha da escola e pegado uma faca.
A confusão ocorreu por volta das 9h30, durante o intervalo das aulas. Familiares ouvidos por OVALE afirmam que um aluno chegou a ficar ferido -- a versão é contestada pela família do estudante que pegou a faca, que nega a facada e diz que ele estava se defendendo das agressões.
“Sou mãe do aluno que pegou a faca para se defender. Justifica? Não. Porém, eram três contra ele. Quando conseguiu escapar, correu para a cozinha e acabou pegando a faca, mas logo entregou”, afirmou a mãe nas redes sociais.
A família também nega que o adolescente tenha ferido outro estudante durante a briga.
Funcionários relatam “momentos de terror”
Uma mãe descreveu o episódio como um momento de pânico dentro da unidade. “Foi um momento de terror. Tivemos que trancar os alunos nas salas e colocar mesas atrás das portas. Teve aluno ferido com faca, tesoura e cabo de vassoura. Foi horrível”, relatou.
Segundo ela, a confusão começou durante o intervalo e rapidamente tomou grandes proporções.
A reportagem teve acesso a vídeos que mostram brigas entre estudantes dentro e nas proximidades da escola. De acordo com pais, os confrontos geralmente envolvem grupos de adolescentes de diferentes bairros.
Pais ouvidos pela reportagem afirmam que as brigas são frequentes na unidade e que muitos episódios acabam sendo gravados e divulgados nas redes sociais.
Violência é comum na escola
“Mais um episódio de briga na escola e ninguém faz nada. O aluno conseguiu pegar uma faca dentro da própria cozinha da escola para ferir outro colega”, disse a mãe de um estudante.
Segundo ela, os conflitos acontecem desde o ano passado. “Essas brigas são frequentes. Já teve aluno que levou a arma do pai para a escola. Como as crianças ficam seguras lá?”, questionou.
Moradores da região também relatam problemas nas proximidades da unidade, incluindo consumo de drogas na área. “Minha filha me ligou desesperada. No ano passado eu mesma já tive que separar várias brigas na porta da escola”, contou outra mãe.
O que diz o Governo do Estado
Procurada pela reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo informou, por meio de nota, que a gestão da escola interveio imediatamente após tomar conhecimento da ocorrência.
Segundo a pasta, a Ronda Escolar e os responsáveis pelos estudantes foram acionados, além do registro de boletim de ocorrência. O Conselho Tutelar também foi comunicado.
A secretaria informou ainda que o caso foi incluído no Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) e que profissionais do programa Psicólogos nas Escolas estão disponíveis para atendimento dos alunos envolvidos.
“A Unidade Regional de Ensino (URE) de São José dos Campos repudia toda e qualquer forma de agressão e incitação à violência dentro ou fora das escolas”, informou a pasta em nota.