A família de Carlos Alberto Chagas Júnior, 21 anos, baleado na cabeça por um policial militar em São José dos Campos, recebeu nessa quarta-feira (28) o exame que declara a morte cerebral do rapaz, que estava em coma e internado no Hospital Municipal, na Vila Industrial.
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Os pais assinaram a autorização para que os órgãos de Carlos Alberto sejam captados e doados, ajudando a salvar vidas. Segundo parentes, serão doados quantos órgãos puderem ser captados pela equipe de transplantes.
Carlos Alberto morreu dias após ter sido baleado na cabeça por um policial militar. Ele estava em uma moto com registro de furto e sem capacete quando desobedeceu a ordem de parada. Na sequência, foi atingido por um tiro na cabeça. O caso aconteceu na noite de domingo (25), na região sul da cidade, e segue em investigação.
Carlos Alberto foi socorrido e internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal, onde estava em coma. Na terça-feira (27), segundo familiares, a equipe médica confirmou a morte cerebral.
Segundo a tia de Carlos Alberto, a equipe médica informou aos familiares que ele não respondia mais a estímulos. Agora serão feitas as últimas tratativas para que a equipe possa captar os órgãos e a família sepultar o corpo de Carlos Alberto, o que deve ocorrer nos próximos dias.
O jovem de São José deixa um filho pequeno e a mulher, que está novamente grávida. Segundo a tia, ele estava desempregado, mas iria começar um trabalho como ajudante de pedreiro na última segunda-feira (26), um dia depois de ter sido baleado.
“Ele trabalha de motoboy, tem filho de 2 anos e esposa está grávida. Ia começar trabalho de ajudante”, afirmou a tia, que pede justiça para o caso. “Meu sobrinho foi morto covardemente. Ele não estava armado como andam dizendo. Esperamos que a investigação mostre a verdade”.
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Perseguição e tiro
Segundo o boletim de ocorrência, Carlos Alberto estava em uma moto com registro de furto e pilotava sem capacete. O documento aponta que, em consultas aos históricos de ocorrências criminais, nos sistemas policiais, não há anotações contra o rapaz.
A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães, e terminou com disparos e colisão com veículo estacionado.
No documento, a Polícia Civil registra a ocorrência como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconhece a existência de legítima defesa na intervenção do agente estatal. O texto ressalta que eventual excesso poderá ser verificado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente com a análise de imagens de câmeras corporais.
O boletim também aponta que uma equipe de apoio localizou uma arma de fogo caída no chão, próxima ao local onde Carlos Alberto tombou, sendo o material apresentado e devidamente lacrado. Trata-se de um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros, que no BO foi relacionado ao suspeito. A ocorrência também registra a apreensão de armamento relacionado ao policial que efetuou os disparos.
A família contesta a versão de que Carlos Alberto estaria armado. “A moto que ele estava seria de um amigo que ele pegou para dar uma volta. Ele deu fuga, sabemos que fez errado, mas estão falando que ele estava armado. Ele não atirou”, disse a tia.
“Fez errado, mas arma não estava com ele. A população estava revoltada e ele ficou aguardando resgate por um grande tempo”, completou.