As cenas da tragédia no Rio Grande do Sul assemelham-se a filmes de catástrofe, mas são a mais pura realidade. Longe da ficção, o drama da destruição atinge mais de 1,4 milhão de gaúchos.
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Numa pequena cidade do interior, apenas a torre da igreja ficou para fora da água. Noutros municípios, casas foram levadas inteiras pela enchente, sobrando somente a escada de alvenaria e o piso (veja fotos abaixo).
Em Canoas, cerca de 40% dos funcionários da Secretaria de Saúde perderam as casas, comprometendo a vida desses servidores e o trabalho que desempenham. O hospital que atendia 2 milhões de pessoas na região está debaixo d’água.
“A pior sensação é de que não é apenas uma cidade atingida, mas são várias. Parece filme de catástrofe, mas é realidade”, disse o empresário Guilherme Osnan, joseense que está no Rio Grande do Sul.
“Há cidades distantes três horas de viagem, de estrada, cuja logística [para atender] é complicada. O que mais me assusta é a quantidade cidades atingidas pelas enchentes.”
Osnan e outros três voluntários de São José dos Campos estão no Rio Grande do Sul desde a última terça-feira (14). Eles acompanharam 20 carretas que levaram mantimentos doados para cidades do estado.
O empresário tem percorrido cidades ao redor de Canoas e flagrado cenas de destruição, como a imagem de um carrinho de criança engolido pela lama. Segundo Osnan, a cidade vai precisar de quase um mês para a água baixar completamente.
“Estão todos tentando sobreviver e depois ver como será a reconstrução. Quase todo o estado vai ter que ser reconstruído”, afirmou.
Balanço da Defesa Civil do estado, divulgado na manhã desta sexta-feira (17), apontava em 154 o número de mortos nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, com 98 pessoas desaparecidas.
CAMPANHA
Após a mobilização por mantimentos e água que levou 20 carretas de donativos para o Sul, voluntários de São José dos Campos lançaram uma campanha para arrecadar roupas infantis, tablets e brinquedos. Trata-se do movimento ‘Onda do Bem’ pelo Rio Grande do Sul.
“Infelizmente, há milhares de crianças nos abrigos. Elas estão assustadas, longe das suas casas, muitas perderam seu animalzinho. A maioria sem um único brinquedinho para tornar esse sofrimento mais leve, se é que é possível”, disse Osnan.
O ponto de entrega para quem quiser doar é na rua Joaquim B. Carvalho, nº 10, na Vila Betânia, região central de São José dos Campos (antigo Pátio Eventos). A previsão dos organizadores é que a carga seja transportada na próxima sexta-feira (24).
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