IZAIAS SANTANA

Política Municipal, enfrentando o racismo

A desigualdade real de oportunidades é a filha mais cruel da herança colonial escravagista, pois, além de negar direitos por razões torpes, faz o país desperdiçar talentos

Por Izaias Santana | 18/05/2024 | Tempo de leitura: 2 min
Prefeito de Jacareí. Doutor em Direito pela USP e Professor na UNIVAP

Você sabe qual é o seu lugar? Desculpa, pensei que você fosse o manobrista! Por favor, o elevador de serviço é o outro! Documentos! Mãos à cabeça! Esse carro é seu mesmo?

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Nossa, seu cabelo é esquisito!

Fruto de mais de 350 anos em que a sociedade brasileira conviveu e foi construída com a exploração econômica da mão de obra negra escravizada, e de um Estado que negou todo e qualquer direito, oferecendo apenas violência de todos os tipos aos nossos brasileiros de origem africana, naturalizamos o racismo e o instituímos, de forma velada, institucionalmente pela insuficiência de políticas públicas eficazes.

Nas duas últimas décadas, temos três importantes iniciativas: o sistema de cotas no serviço público e nas universidades públicas, que já produzem razoáveis resultados, e o sistema de cotas financeiras das candidaturas para os cargos legislativos, que pode, se levado a sério, reduzir o caráter monocromático de nossos parlamentos.

A desigualdade real de oportunidades é a filha mais cruel da herança colonial escravagista, pois, além de negar direitos por razões torpes, faz o país desperdiçar talentos.

Avaliando a "naturalização cultural" do lugar do negro, é preciso que os municípios enfrentem com ações concretas a invisibilidade desta parte incontestável de nossa história. O ensino da história dos povos africanos e dos indígenas e suas contribuições para a formação de nosso país precisa tornar-se realidade desde as primeiras séries da educação infantil. Estamos fazendo isso em Jacareí!

A aquisição e distribuição em massa de livros didáticos e paradidáticos que tenham autores, personagens e heróis negros e indígenas precisam de uma política nacional de oferta. Estamos fazendo em Jacareí!

O "embranquecimento" dos nomes de nossas ruas, praças e bairros precisa ser superado. Temos Jardins Colônia, do Marquês, da Europa, dos Príncipes, com nomes de príncipes e princesas europeias dos séculos anteriores à nossa colonização. No entanto, buscamos um Jardim África, um Parque Angola. Encontrar nomes de heróis negros e indígenas em nossas ruas é algo muito raro.

Em Jacareí, fizemos sete homenagens: Praças Luiz Gama, Marielle Franco, Paulo Graça e Dito Preto. Ruas Antonieta de Barros, Enedina Alves Marques e João do Pulo. Tudo com leis discutidas e aprovadas na Câmara Municipal. E estamos construindo o Parque Linear Carolina Maria de Jesus. Temos, também, os parques lineares Cassununga, Caramuru e Tupinambás, homenagens ao nosso povo indígena.

Por fim, fizemos o relançamento de uma obra literária de 1890, de Antonio Gomes de Azevedo Sampaio, “O Abolicionista”, que conta a história do movimento em nossa cidade e o episódio de abolição popular, com a libertação dos últimos cativos, antes da promulgação da Lei Áurea, esta lei que tornou juridicamente todos iguais, perante ela, fria e morta, mas silenciou o Brasil quanto às medidas necessárias para redução das desigualdades, do racismo e da discriminação, tarefa de todos nós!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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