O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende cautela diante da ida de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos após perder as eleições presidenciais. O Palácio do Planalto e o Itamaraty avaliam que o caso deve ser tratado pela Justiça, sem politização ou reação diplomática contra o governo norte-americano.
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Flávio deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano e chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28). Ele iniciou a viagem após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a devolução de seus passaportes, diante do alerta da Polícia Federal (PF) sobre o risco de fuga. A medida não foi cumprida.
O senador é investigado em três processos conduzidos pela PF, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederia vistos a Flávio e à família dele para entrar e permanecer no país.
Interlocutores do Itamaraty afirmam que a situação é de competência exclusiva do Poder Judiciário e que o Executivo não deve interferir neste primeiro momento. A orientação é evitar o agravamento das tensões com o governo de Donald Trump.
A situação coincide o desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcado pela aplicação de tarifas comerciais norte-americanas e por acusações de Trump, sem provas, de fraude nas eleições brasileiras de 2026.
Para integrantes do governo Lula, a relação com os Estados Unidos é um dos principais desafios do quarto mandato do presidente. Embora avaliem positivamente a relação entre Lula e Trump, membros do governo veem a atuação do Departamento de Estado, liderado por Marco Rubio, como hostil ao presidente brasileiro.
A permanência de Flávio nos EUA também preocupa o Planalto pelo potencial de ampliar a articulação da oposição brasileira em território norte-americano, especialmente pela aproximação da família Bolsonaro com autoridades da Casa Branca.
Com informações do Metrópoles.