'MÍDIA CATIVA'

PF indicia prefeito de Jaú e mais 12 por corrupção eleitoral

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Facebook
Ivan Cassaro declarou, em nota, que as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial
Ivan Cassaro declarou, em nota, que as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial

Jaú - A Polícia Federal (PF) de Bauru concluiu inquérito instaurado para apurar suspeitas de financiamento de uma estrutura de comunicação política em Jaú (47 quilômetros de Bauru) supostamente utilizada para promover a imagem do prefeito Jorge Ivan Cassaro e divulgar conteúdo negativo contra seus adversários políticos. No relatório final, a corporação indiciou o chefe do Executivo e outras 12 pessoas por corrupção eleitoral e organização criminosa e também sugeriu que ele seja afastado cautelarmente do cargo.

As apurações relativas ao inquérito deram origem à chamada "Operação Mídia Cativa" que, em maio deste ano, resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas cidades de Jaú, Dois Córregos (SP) e Nhandeara (SP), incluindo na residência do prefeito.

O inquérito reuniu depoimentos, comprovantes de transferências financeiras, mensagens, áudios e análises de aparelhos eletrônicos apreendidos. Para a PF, o conjunto de elementos aponta para a existência de uma estrutura de divulgação política remunerada, que teria funcionado por meio de comunicadores, páginas de notícias e outros canais de comunicação locais.

A investigação buscou esclarecer se pagamentos realizados por pessoas físicas e empresas, inclusive aquelas com relações contratuais com o poder público, intermediados por agentes políticos, teriam sido utilizados para financiar publicações favoráveis à gestão municipal e desfavoráveis à oposição.

Os beneficiados pelos pagamentos irregulares, de acordo com o relatório, seriam comunicadores e administradores de páginas digitais. Além deles e do prefeito, também foram indiciados articuladores do suposto esquema e responsáveis por disponibilizar os recursos.

No relatório, a PF aponta que haveria elementos para justificar uma representação pelo afastamento cautelar de Ivan Cassaro do cargo de prefeito de Jaú. A medida foi apresentada como forma de preservar a investigação, evitar interferências e garantir a efetividade de eventuais providências judiciais.

Com o fim das investigações, os autos seguem para apreciação e adoção das providências cabíveis. Além do indiciamento do prefeito e de outras 12 pessoas pelos crimes de corrupção eleitoral e organização criminosa, o chefe do Executivo e dois investigados foram indiciados por corrupção passiva e, outros dois, por corrupção ativa.

Respostas

Procurado pela reportagem, por meio de nota, Ivan Cassaro informou que "considerando que trata-se de um processo judicial em andamento, neste momento, todas as manifestações serão feitas dentro dos autos do processo judicial".

A PF, também por meio de nota, declarou que "não comenta informações relativas a possíveis investigações em andamento". Já a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo disse que ainda não recebeu o inquérito policial relatado deste caso.

Comentários

Comentários