Franca exportou US$ 289,8 milhões (R$ 1,536 bilhão) entre janeiro e setembro de 2026 e bateu o recorde histórico de vendas ao mercado internacional. O resultado já supera os US$ 289,7 milhões (R$ 1,535 bilhão) registrados durante todo o ano passado, até então o maior volume anual da série.
Os dados são do ComexStat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O café lidera a pauta exportadora do município, com US$ 106,9 milhões (R$ 566,57 milhões) movimentados nos primeiros nove meses deste ano.
Na segunda posição estão os resíduos e desperdícios das indústrias alimentares e os alimentos preparados para animais, com US$ 42,6 milhões (R$ 225,78 milhões). O setor calçadista aparece em terceiro lugar, com US$ 41,6 milhões (R$ 220,48 milhões).
Para Rodrigo Souza, economista do Instituto de Economia da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), o recorde pode estar relacionado a uma combinação de fatores, como os preços internacionais das commodities, a taxa de câmbio e a demanda externa por produtos brasileiros.
“Não podemos apontar ainda que a exportação tenderá a uma alta constante”, disse.
Segundo o economista, será necessário acompanhar o comportamento das vendas nos próximos anos para avaliar se o resultado representa uma mudança duradoura.
Café fortalece a economia regional
Com US$ 106,9 milhões exportados, o café é o principal produto da pauta exportadora francana. Segundo Souza, a atividade tem tradição histórica na região e é reconhecida pela qualidade dos grãos produzidos.
O potencial econômico do setor, porém, vai além da exportação do produto in natura. A cadeia cafeeira envolve beneficiamento, torrefação, cafés especiais, marcas próprias, logística, armazenagem, tecnologia agrícola, comercialização e turismo ligado à cultura do café.
Dados da Receita Federal citados pelo economista apontam que Franca possui mais de 800 empresas ativas relacionadas ao setor, desde o cultivo até a comercialização. Já informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) indicam que a atividade gerava 743 empregos formais em agosto de 2026.
Para Souza, o fortalecimento da cadeia pode aproximar diferentes áreas da economia e ampliar as oportunidades de desenvolvimento.
“O fortalecimento do setor cafeeiro como um todo representa maior integração entre a agricultura, indústria e os serviços/comércio”, afirmou.
Na avaliação do economista, essa integração pode contribuir para diversificar a economia francana e aumentar sua capacidade de gerar empregos e renda. Para isso, ele aponta a importância de ampliar a participação das empresas locais nas diferentes etapas da produção e comercialização.
“A oportunidade está em agregar valor ao café e ampliar a participação das empresas da região nas diferentes etapas da cadeia produtiva”, destacou.
Diversificação da pauta exportadora
Além do café, os resíduos e desperdícios das indústrias alimentares e as sementes e os frutos oleaginosos estão entre os produtos que se destacam nas exportações de Franca. Os segmentos contribuem para ampliar a diversidade da pauta exportadora do município.
No caso das sementes e dos frutos oleaginosos, no entanto, ainda não há dados suficientes para afirmar que o avanço das exportações esteja diretamente relacionado ao aumento da produção agrícola dentro de Franca.
Segundo Souza, o município possui empresas ligadas ao cultivo de soja, mas esses registros, por si só, não comprovam uma expansão da produção local.
“Esses dados indicam a existência de empresas ligadas à atividade, mas não demonstram, isoladamente, uma produção local”, explicou.
Uma das hipóteses, segundo ele, é que parte do crescimento esteja associada à atividade comercial e exportadora, sem necessariamente representar um aumento equivalente do cultivo no município.
O economista também destaca que a diversificação pode tornar a economia mais resistente às oscilações externas.
“A diversificação é importante para o desenvolvimento econômico, geração e melhor distribuição da renda, aumentando a capacidade de resistência da economia diante de choques externos”, finalizou.