MISTÉRIO

O incêndio em prédio da UFPE foi criminoso? Entenda o que se sabe

Folhapress
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Foi o terceiro incêndio em uma semana em instalações da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife,
Foi o terceiro incêndio em uma semana em instalações da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife,

O terceiro incêndio em uma semana em instalações da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), no Recife, provocou um prejuízo milionário ao destruir a estrutura e também pesquisas acadêmicas de décadas.

O último episódio ocorreu na noite de quarta-feira (7), mobilizando oito viaturas do Corpo de Bombeiros para combate às chamas. Não houve feridos em nenhum dos três eventos, mas a situação expôs os problemas financeiros vividos pela instituição federal, como afirmou o reitor Alfredo Macedo Gomes.

A Polícia Federal também investiga boatos de possíveis ataques para determinar se o fogo foi acidental ou criminoso.

O fogo destruiu o antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), espaço que também já havia sediado o restaurante universitário. O prédio multiuso abrigava laboratórios voltados a fármacos, informática e genética, incluindo a sede do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit).

O reitor da UFPE, Alfredo Macedo Gomes, calculou um prejuízo preliminar de cerca de R$ 100 milhões em equipamentos, insumos e materiais de pesquisa. O andar superior do edifício foi completamente destruído pelo fogo.

Pesquisadores relataram a perda irreparável de dados de cerca de 20 anos de trabalho. Segundo a reitoria, o desastre impactou diretamente ou causou a perda de aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Foram perdidas amostras biológicas e testes de fármacos para enfrentamento da Covid-19 e de tratamento da esclerose sistêmica. Também foi destruído um acervo com mais de 10 mil amostras de quase mil pacientes em um dos maiores estudos mundiais sobre manejo de dores decorrentes da chikungunya, além de amostras para detecção de biomarcadores de câncer de pulmão e doenças respiratórias.

Outros incêndios

Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em pouco mais de uma semana. As causas dos dois primeiros já foram identificadas. Em 30 de setembro, houve fogo em um laboratório do Departamento de Física devido a um experimento com câmara de alta temperatura, e, em 4 de outubro, um curto-circuito no ar-condicionado atingiu o laboratório de Citogenética do Centro de Biociências.

As causas do incêndio do dia 7 permanecem desconhecidas, e a perícia ainda não determinou se a ocorrência teve origem acidental ou criminosa.

A Polícia Federal foi mobilizada devido à circulação prévia de mensagens com ameaças nas redes sociais e em grupos de estudantes ao longo da semana do incêndio. A reitoria repudiou as intimidações e pediu apuração formal tanto das causas do fogo quanto da origem das ameaças.

A corporação iniciou oitivas de suspeitos pelo envio de mensagens intimidadoras e operou robôs e drones para colher os primeiros dados na estrutura. Os peritos ainda não começaram os trabalhos no local pela necessidade de escoras na estrutura, para evitar desabamentos. Eles receberão o suporte de equipes especializadas do Instituto Nacional de Criminalística, vindas de Brasília.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou o repasse de R$ 28 milhões para construir um novo prédio, que passará de 3.000 m² para 7.000 m². O MEC também se comprometeu com a recompra integral dos equipamentos de laboratório, com valor orçado inicialmente em R$ 100 milhões.

O governo determinou a extensão dos prazos de vigência de bolsas de pesquisas e abriu um edital especial do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE) para que teses em fase final sejam concluídas em países parceiros, como Alemanha, Estados Unidos e França. Mestrandos e professores com bolsas de pós-doutorado também poderão dar continuidade aos seus estudos em outras instituições brasileiras.

Segundo Alfredo Macedo Gomes, a UFPE teve uma queda de 54% em seu orçamento discricionário nos últimos 12 anos. Enquanto em 2014 a universidade dispôs de R$ 213 milhões (o equivalente a R$ 414 milhões corrigidos para 2026), a previsão orçamentária do MEC para despesas operacionais e de manutenção em 2026 é de R$ 190 milhões.

Alfredo Gomes afirma que a universidade possui mais de 370 prédios, vários deles com idade entre 70 e 80 anos. Embora a gestão afirme que havia rotina de manutenção preventiva e que o prédio atingido não possuía notificações prévias de risco, a reitoria ressaltou que a verba recebida não é suficiente para cobrir adequadamente as necessidades de manutenção da instituição.

A Adufepe destacou que os incêndios evidenciam a situação de vulnerabilidade estrutural das universidades federais e defendeu mais investimentos em manutenção, infraestrutura e segurança dos prédios e laboratórios. A entidade disse que o episódio não deve ser tratado como "fato isolado ou uma fatalidade" e cobrou apuração das causas.

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