Flávio defende que fim da reeleição se aplique a seu mandato
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, disse nesta quinta-feira (8) que defende que o fim da reeleição - uma de suas propostas de campanha - tenha validade já para o seu mandato, caso ele seja eleito ao Planalto.
"Propus para mim. Tem que valer para mim. Eu sou autor da PEC [proposta de emenda à Constituição] que acaba com reeleição. Não estou disputando poder, não sou Lula que gastou R$ 350 bilhões nos últimos dias para tentar se reeleger. A reeleição precisa acabar. Eu sou autor da PEC e usarei o capital político de um presidente para aprovar. Mas tem que ser para o meu mandato", declarou.
Na mesma fala, Flávio disse que a proposta deve incluir uma vedação para que parentes imediatos disputem o mesmo cargo.
"É o Congresso que faz a lei. Mas inclusive para a questão de parentes até terceiro grau, não é só eu, é o meu pai inclusive. Houve uma fala desencaixada de que o [Jair] Bolsonaro poderia ser candidato a vice-presidente. Não. Se eu for presidente da República a partir de 2027, nenhum parente meu pode ser candidato", afirmou Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, foi especulado que, se eleito, Flávio Bolsonaro poderia trabalhar a candidatura de Jair Bolsonaro em 2030. A especulação ganhou força com a possibilidade de o ex-presidente ser solto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após a eleição.
Flávio passou a ser cobrado por propostas de reformas após passar a ser considerado franco favorito na disputa presidencial. Ele terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto Lula (PT) teve 45,16%.
A promessa de não concorrer à reeleição tem servido para Flávio Bolsonaro angariar apoios. O recado é que o candidato do PL pode deixar o caminho livre para sucessores de fora da família. O principal cotado é o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O veto a candidaturas de parentes também impediria pretensões presidenciais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Eleita senadora pelo PL do Distrito Federal, a mulher de Jair Bolsonaro foi cotada a concorrer como vice de Tarcísio numa eventual candidatura do governador à Presidência.
Também nesta quinta (8), durante um evento com governadores da direita eleitos, Flávio voltou a afirmar que, se eleito, o Brasil terá relação com países de todos os espectros, inclusive a China.
O candidato do PL disse que, no governo Lula, o país "se aproximou do que há de pior no mundo, virou as costas para grandes democracias".
"Por questão ideológica, o atual presidente acaba querendo escolher um lado. Eu não vou escolher lado, meu lado vai ser o do povo brasileiro, independentemente de ser China, Israel, Oriente Médio, Argentina, Índia, não importa", completou.
O senador já havia falado sobre a proposta de fim da reeleição na quarta-feira (7), quando citou mudanças planejadas por ele caso vença a eleição. Ao tratar do tema, ele deixou em aberto a possibilidade de extensão do mandato presidencial de 4 para 5 anos.
Ao listar as propostas, Flávio citou exemplos de PECs (proposta de emenda à Constituição) como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, mudanças na reforma tributária, além do fim da reeleição para presidente.
"Tem várias PECs que são possíveis. Tem que haver sim uma reforma do Judiciário. Eu sou a favor da redução da maioridade penal há bastante tempo, isso tem que ser feito por PEC. Tem pontos da reforma tributária que têm que ser feitos por PEC. O fim da reeleição, para dar o exemplo, para mostrar que eu não estou disputando o poder como esse atual governo", afirmou.
Na ocasião, ao tratar da proposta de fim de reeleição, Flávio havia mantido uma brecha para aumento do mandato.
"É o Congresso que vai definir os critérios, se vai ser mandato de 4 ou 5 anos, se vai valer só para presidente, se vai valer para governador", afirmou. "Eu vou usar o capital político de um presidente recém-eleito para aprovar essa PEC [do fim da reeleição] para redemocratizar o nosso país."