Quatro dos principais corredores de Campinas concentraram 36 das 212 mortes registradas nas vias urbanas da cidade entre 2023 e 2025. O número significa que aproximadamente uma em cada seis vítimas do trânsito no período morreu nas avenidas John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez ou Prestes Maia.
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O levantamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) mostra ainda uma concentração dos locais de maior risco. Dos 50 pontos classificados como críticos pela gravidade e recorrência dos acidentes, 24 — ou 48% — estão em apenas três avenidas: são 15 na John Boyd Dunlop, cinco na Prestes Maia e quatro na Ruy Rodriguez.
As vias estão entre importantes eixos de deslocamento da cidade e recebem volumes elevados de veículos. A Prestes Maia chega a 104 mil veículos por dia, apesar de ter apenas dois quilômetros de extensão por sentido. A John Boyd Dunlop recebe 60 mil veículos diariamente em seus 15 quilômetros; a Ruy Rodriguez, 47 mil em sete quilômetros; e a Aladino Selmi, cerca de 30 mil veículos em 4,6 quilômetros.
JBD lidera concentração de pontos críticos
A John Boyd Dunlop, sozinha, reúne 30% dos 50 pontos críticos identificados pela Emdec. A avenida também aparece com o maior número de mortes entre os corredores detalhados pelo órgão, com 17 óbitos no levantamento apresentado. Ruy Rodriguez aparece com seis e Prestes Maia, com cinco.
Os números mais recentes indicam redução das mortes nesses corredores em 2026. Até agosto, foram registrados dois óbitos na John Boyd Dunlop, um na Ruy Rodriguez e um na Prestes Maia. A Aladino Selmi não havia registrado vítima fatal no período.
Na John Boyd Dunlop, a Emdec aponta uma queda de 69% das mortes em cinco anos: foram 13 vítimas em 2021 e quatro em 2025. Entre 2024 e 2025, o número caiu de sete para quatro. O cruzamento da JBD com a Rua Mário Scolari, que já ocupou o primeiro lugar entre os pontos mais críticos da cidade, passou para a oitava posição no ranking que considera ocorrências entre 2023 e julho de 2026.
Radares e obras nos corredores
Parte das medidas adotadas pela Emdec está concentrada justamente nesses eixos. Dos 154 pontos de fiscalização eletrônica ativos em Campinas, 30 estão na John Boyd Dunlop e suas marginais, enquanto outros 17 ficam na Ruy Rodriguez e na Avenida Camucim. Entre agosto e setembro, quatro novos pontos foram ativados na JBD e cinco na região da Ruy Rodriguez. Prestes Maia e Aladino Selmi somam outros sete equipamentos.
A John Boyd Dunlop também recebeu intervenções físicas em 2023 no trecho considerado mais crítico, com mudanças destinadas a reduzir velocidades nas conversões e diminuir a extensão das travessias de pedestres. Na Prestes Maia, estão em andamento a ampliação da alça de acesso da Avenida Benedicto Campos e intervenções nas pistas da ponte sobre o Córrego Piçarrão.
A fiscalização presencial completa as ações. Até setembro, Campinas havia realizado 175 operações integradas, que resultaram na identificação de cerca de 6,3 mil infrações ou condutas irregulares. A JBD e a Ruy Rodriguez também estão entre os corredores que recebem ações educativas voltadas a motoristas, motociclistas e pedestres.
Como é definido um ponto crítico
O ranking é calculado pela Emdec a partir da Unidade Padrão de Severidade (UPS), metodologia que atribui pesos diferentes aos acidentes conforme a gravidade. Dessa forma, locais com ocorrências mais graves ganham maior peso do que aqueles onde predominam acidentes sem vítimas.
Os dados fazem parte do Relatório Anual de Sinistralidade no Trânsito 2025. No ano passado, Campinas contabilizou 142 mortes em 141 acidentes fatais, considerando tanto a malha urbana quanto as rodovias que atravessam o município.
Nota sobre os dados: o material divulgado pela Emdec apresenta dois recortes diferentes. No dado principal, as quatro avenidas somam 36 mortes, equivalentes a 17% dos 212 óbitos urbanos entre 2023 e 2025. Em outro trecho, o órgão informa 28 mortes — 17 na JBD, seis na Ruy Rodriguez e cinco na Prestes Maia — e cita o período “2023 a 2026”, sem detalhar a Aladino Selmi. Por isso, os dois conjuntos não devem ser tratados como se fossem o mesmo recorte estatístico.