ECONOMIA

Franca celebra 'Dia do Café' com US$ 93 mi exportados em 2026

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Franca exportou US$ 93.552.554 apenas pelo setor cafeeiro em 2026
Franca exportou US$ 93.552.554 apenas pelo setor cafeeiro em 2026

Franca celebra o Dia Internacional do Café consolidada como um dos grandes motores da economia cafeeira no país. Impulsionada pelo avanço nas exportações e por um cenário de bons preços internacionais, a cidade caminha para fechar 2026 com marcas expressivas no mercado externo, conforme apontam os dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Entre janeiro e agosto deste ano, Franca exportou US$ 93.552.554 apenas pelo setor cafeeiro. O volume representa o segundo melhor desempenho da história para o período, ficando atrás apenas do recorde registrado em 2024, quando as vendas externas somaram US$ 114.898.786.

O desempenho coloca o município na 22ª posição no ranking nacional das cidades que mais exportaram café, chás e especiarias em 2026. No âmbito estadual, Franca ocupa o 4º lugar, atrás apenas de gigantes do setor como Santos (US$ 167.179.278), Espírito Santo do Pinhal (US$ 154.537.501) e São José do Rio Pardo (US$ 122.279.355).

Força regional

Para Ricardo Lima de Andrade, diretor-secretário da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), o momento positivo do setor reflete a resiliência dos produtores após os desafios climáticos enfrentados em anos anteriores, como as geadas e secas de 2021.

“Nós estamos alinhando tradição com modernidade e competência. A cafeicultura na região, em especial agora nos últimos cinco anos, depois de ter passado fases difíceis com os efeitos climáticos, rompeu esses desafios, aprendeu bastante com eles e atravessa um bom momento, porque estamos vivendo preços favoráveis e oportunidades de mercado”, destaca Andrade.

O diretor ressalta também o papel transformador da atividade na economia local, historicamente marcada pela força do setor calçadista, que está distante do cafeeiro neste ano, com cerca de US$ 37,2 milhões exportados. Segundo Ricardo, o agronegócio tem liderado a região.

“O café é essencial na economia da cidade, porque Franca sempre foi vista como uma cidade industrial e está passando por um momento delicado nessa área. A cafeicultura tem contribuído com o aumento de renda e o crescimento gradativo da área cultivada na região”, aponta.

O 'tarifaço' de Trump 

Apesar do forte desempenho comercial, o setor cafeeiro de Franca precisou lidar com turbulências no cenário internacional decorrentes da política comercial dos Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump havia imposto um "tarifaço" com sobretaxas pesadas sobre produtos agrícolas brasileiros, que chegaram a patamares elevados e geraram forte retração temporária nas importações do grão pelo mercado norte-americano.  

Contudo, após pressões da indústria interna dos EUA, que sofreu com os custos e a dependência histórica do produto brasileiro, o governo norte-americano voltou atrás e retirou as taxas que incidiam sobre o setor, poupando o café verde de barreiras comerciais severas.

“A princípio nos preocupou, mas reconhecemos que os Estados Unidos, como consumidor, tem uma dependência grande de outros países onde o Brasil sempre se colocou. Acreditamos que houve bom senso na análise posterior e que isso trouxe poucos impactos para o café verde nacional”, avalia.  

Perspectivas para o futuro

Após o encerramento de uma safra volumosa e com armazéns cheios, os produtores já começam a projetar o próximo ciclo. De acordo com o diretor da Cocapec, a cafeicultura da região da Alta Mojana caminha para retomar o padrão de bianualidade - dinâmica que havia sido quebrada pelos eventos climáticos extremos do passado -, o que indica uma tendência de volume menor para o próximo ano em comparação à safra atual.

“O importante é continuar a orientação junto aos nossos cafeicultores para que o processo produtivo seja feito com competência, eficiência e aproveitando as oportunidades de aumentar a escala quando elas surgem, sem abrir mão de uma boa liquidez e de um bom resultado na atividade”, conclui o diretor-secretário.

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