NOVO DEPOIMENTO

Motorista diz que sentiu impacto, mas não viu criança em Birigui

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Guilherme Renan | Folha da Região
Motorista de 35 anos chega ao 1º Distrito Policial de Birigui acompanhado pelo advogado César Franzói para prestar depoimento sobre o atropelamento que matou Guilherme Correa Lima
Motorista de 35 anos chega ao 1º Distrito Policial de Birigui acompanhado pelo advogado César Franzói para prestar depoimento sobre o atropelamento que matou Guilherme Correa Lima

O motorista de 35 anos envolvido no atropelamento que matou Guilherme Correa Lima, de 1 ano e 8 meses, em Birigui, prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (21). Ele foi ouvido pelo delegado Ícaro Oliveira Borges por aproximadamente duas horas, acompanhado dos advogados César Franzói e Isabela Fioroto.

Segundo a defesa, o motorista manteve a versão apresentada desde domingo (20): não percebeu que havia atingido uma criança. A novidade após o depoimento é que ele relatou ter sentido um impacto durante o deslocamento do veículo.

De acordo com a advogada Isabela Fioroto, motorista e passageiro perceberam o impacto, mas acreditaram que o automóvel tivesse passado sobre uma pedra, um buraco ou outro obstáculo na via.

“O meu cliente não percebeu, no momento, que o que ele havia passado em cima era, infelizmente, uma criança”, afirmou a advogada à reportagem da Folha da Região após o depoimento.

Ainda segundo a defesa, os dois chegaram a comentar sobre o impacto e olharam para a via, mas não identificaram a presença da criança.

Ligação teria revelado atropelamento

A defesa afirma que o motorista soube posteriormente que o veículo havia atingido Guilherme, depois que o passageiro recebeu uma ligação do pai da criança.

Segundo os advogados, o passageiro é padrinho de Guilherme e amigo de infância do pai do menino. Os dois teriam sido surpreendidos pela informação de que o carro havia atropelado a criança.

A defesa sustenta, por isso, que o motorista não deixou o local com a intenção de fugir ou evitar eventual responsabilização, pois naquele momento não saberia que havia atingido uma pessoa.

Essa versão será confrontada pela Polícia Civil com as imagens das câmeras de segurança, os depoimentos e os resultados das perícias.

Motorista nega consumo de álcool

Durante o depoimento, o motorista também foi questionado sobre eventual consumo de bebida alcoólica antes de dirigir.

Segundo Isabela, ele negou ter ingerido álcool no dia do atropelamento.

A advogada também explicou por que o motorista não se apresentou à polícia logo após saber da morte. Segundo ela, ele teria sofrido forte abalo emocional, desligado o telefone e permanecido incomunicável.

A defesa relatou ainda que, nesse período, ele teria manifestado intenção de tirar a própria vida. O motorista apresentou-se à Polícia Civil no domingo, acompanhado dos advogados.

Passageiro também é ouvido

O passageiro do Hyundai Sonata também prestou depoimento nesta segunda-feira. Segundo a defesa, ele permaneceu por quase duas horas na delegacia.

A advogada Laymini Oliveira, que o acompanhou, afirmou que seu cliente também declarou não ter percebido que o veículo havia atingido Guilherme.

“Na hora, eles sentiram um pequeno impacto, como se tivesse passado realmente por uma pedra ou um buraco”, afirmou.

Segundo a advogada, o passageiro, por ser padrinho da criança e amigo do pai desde a infância, manteve contato com os familiares depois de tomar conhecimento do atropelamento e chegou a ir à residência da família.

A defesa informou ainda que o Hyundai Sonata deverá passar por perícia e afirmou que o automóvel não sofreu alterações após o atropelamento.

Investigação continua

A Polícia Civil deverá confrontar os depoimentos prestados nesta segunda-feira com as imagens das câmeras de segurança, os laudos periciais e os demais elementos reunidos no inquérito.

O caso foi registrado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor e afastamento do local do acidente. A definição das circunstâncias e de eventuais responsabilidades dependerá da conclusão da investigação.

Após o depoimento, Isabela pediu cautela diante da repercussão do caso.

“É realmente uma tragédia. A gente quer aproveitar a oportunidade para dizer para as pessoas que, nesse momento, não fiquem buscando culpados. É um momento de orarmos pela família e pela criança”, declarou.

Relembre o caso

Guilherme foi atropelado na tarde de sábado (19), em frente à residência da família, na rua Coriolano Pompeu Paes de Campos, no bairro São Genaro.

Segundo o boletim de ocorrência, o pai da criança conversava com o passageiro do Hyundai Sonata. Imagens de câmeras de segurança registraram parte da movimentação.

Conforme o registro policial, enquanto os dois conversavam, Guilherme caminhou até a parte dianteira do veículo sem ser percebido. Após a conversa, o pai se despediu e passou pela traseira do automóvel, sem perceber que o filho estava à frente.

Na sequência, o carro começou a se movimentar e atingiu a criança. Segundo o boletim, ao perceber o ocorrido, o pai gritou e tentou acompanhar o veículo, que deixou o local.

O resgate foi acionado, mas Guilherme morreu no local. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Araçatuba.

A Polícia Civil prossegue com o inquérito para esclarecer a dinâmica do atropelamento e as circunstâncias posteriores ao acidente.

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