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PF vê tratamento desigual a políticos em ações de Mendonça

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Antonio Augusto/STF
As informações constam de relatórios enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações constam de relatórios enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Polícia Federal identificou diferenças na atuação do ministro André Mendonça em investigações envolvendo políticos no caso Master e apontou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como “provável alvo estratégico”. As informações constam de relatórios enviados ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia mais: Moraes pede a Fachin investigação contra André Mendonça

Segundo a PF, Mendonça avançou sobre medidas próprias da investigação e adotou níveis diferentes de exigência conforme os alvos. O relatório cita como exemplos os casos dos senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ciro Nogueira (PP-PI).

Diferença entre os casos

Na avaliação da PF, a investigação envolvendo Weverton apresentou elementos mais frágeis, sem indicação de ato de ofício, valores rastreados ou diálogos em que o senador apareça como interlocutor. Mesmo assim, segundo o relatório, a análise da representação apresentou conclusões categóricas sem sustentação suficiente nos documentos reunidos.

Já no caso de Ciro Nogueira, a PF apontou um conjunto mais robusto de elementos. Entre eles está a “emenda Master”, apresentada pelo senador para ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a investigação, a proposta foi elaborada por pessoas ligadas ao Banco Master, encaminhada a Daniel Vorcaro e posteriormente enviada à residência de Ciro antes de ser protocolada no Senado. Em mensagens, Vorcaro comemorou a apresentação do texto.

A PF afirmou que Mendonça adotou critérios diferentes nos dois processos, quando ambos estavam sob sua relatoria.

Alcolumbre como alvo

Em outro relatório, a PF apontou Alcolumbre como “provável alvo estratégico” devido à influência política do senador e à possibilidade de permanência dele na presidência do Senado no próximo ano.

O documento também cita o controle da pauta da Casa, principalmente em relação à tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF. A PF registrou ainda o histórico de divergências entre Alcolumbre e Mendonça.

Prazos diferentes

A PF também comparou o tempo de análise de medidas envolvendo diferentes autoridades. O menor prazo registrado foi de nove dias, em uma medida relacionada ao senador Jaques Wagner (PT-BA). O maior foi de 75 dias, em um procedimento envolvendo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Entre os demais casos, Ciro Nogueira teve medida analisada em 29 dias, enquanto outro procedimento contra Castro levou 46.

O relatório não afirma que Mendonça tenha deliberadamente alterado os prazos para beneficiar ou prejudicar investigados, mas aponta diferença expressiva no tempo de apreciação conforme o perfil das autoridades.

Os relatórios foram citados por Moraes no pedido de investigação encaminhado a Fachin. O ministro apontou indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos na atuação de Mendonça nos casos Master e INSS.

Na quinta-feira (3), Fachin determinou que Mendonça, Moraes, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal prestem informações sobre os acontecimentos em até cinco dias úteis.

Com informações do g1 e TV Globo.

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