Moradores e comerciantes do Centro de Jundiaí participaram, nesta quarta-feira (2), de uma reunião no Centro das Artes para conhecer as ações da Assistência e Desenvolvimento Social voltadas às pessoas em situação de rua. O encontro apresentou a campanha “Não dê o que sobra. Dê o que transforma”, lançada em agosto para orientar a população sobre formas mais efetivas de ajudar.
Quem vive ou trabalha no Centro convive diariamente com pessoas em situação de rua e, muitas vezes, não sabe como agir. A orientação apresentada é que, em vez de tentar resolver a situação sozinho, o morador ou comerciante acione a rede municipal, que conta com equipes preparadas para fazer a abordagem e avaliar cada caso.
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Luciana Mosca, destacou que a campanha foi construída para mudar a forma de olhar para a população em situação de rua e evitar respostas imediatistas. “Quando a gente fala da população em situação de rua, não dá para ser imediatista. A gente precisa avançar com um compromisso do outro, de falar sobre a campanha de uma forma desconstruída, porque, se não, a gente vai ficar sempre no espaço de julgamento”, afirmou.
A campanha orienta moradores e comerciantes a procurarem os serviços municipais, que podem identificar a demanda e fazer os encaminhamentos necessários. A ideia é que a solidariedade não termine na doação, mas seja o primeiro passo para que a pessoa tenha acesso a direitos, atendimento e novas oportunidades.
Rede de atendimento
O Centro POP, na rua Marechal Deodoro da Fonseca, 504, é a principal porta de entrada para pessoas em situação de rua. O atendimento é gratuito e não exige documentação. De janeiro a maio deste ano, o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS) realizou mais de 6,8 mil abordagens em Jundiaí. O número não representa pessoas diferentes, já que uma mesma pessoa pode ser atendida várias vezes. O serviço funciona 24 horas pelo WhatsApp (11) 98531-0146.
A rede oferece acolhimento, alimentação, banho, roupas, orientação para documentos e encaminhamentos para trabalho, renda e outros serviços. Na Operação Noites Frias, entre junho e julho, 949 pessoas diferentes foram atendidas, com 4.974 pernoites. O acolhimento não é obrigatório.
A proposta da campanha é mudar a cultura da doação individual e incentivar uma solidariedade que ajude a pessoa a reconstruir a própria trajetória. A proposta é mostrar que alimentos, roupas ou dinheiro entregues diretamente nem sempre resolvem a situação e podem não atender à necessidade de cada pessoa.