POLARIZAÇÃO EM 2026

Brasil dividido: Pesquisa mapeia bolsonarismo e lulismo no país

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Paulo Pinto e Fernando Frazão/Agência Brasil
Pouquíssima gente fica no meio-termo - nota 5, o 'nem concordo nem discordo', não passa de 14% a 17% em cada escala.
Pouquíssima gente fica no meio-termo - nota 5, o 'nem concordo nem discordo', não passa de 14% a 17% em cada escala.

A dois meses do primeiro turno, o Brasil eleitoral continua dividido por um eixo que não é exatamente ideológico, mas afetivo: a rejeição mútua entre lulistas e bolsonaristas. É o que mostra a 12ª rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (31), que pediu aos entrevistados para se posicionarem, numa escala de 0 a 10, em relação a duas frases: "Sou anti-Lula" e "Sou anti-Bolsonaro (e sua família)".

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O resultado escancara a lógica do "voto contra" que domina a corrida presidencial: a nota média de rejeição a Lula é 5,5, e a rejeição a Bolsonaro e sua família é 5,0 — ambas empurradas por um fenômeno de polarização nos extremos. Na pergunta sobre Lula, 42% dos entrevistados deram nota 10 (rejeição máxima) e 32% deram nota 0 (rejeição nula). No caso de Bolsonaro, o padrão se repete quase espelhado: 36% cravaram nota 10 e outros 36% deram nota 0. Pouquíssima gente fica no meio-termo — nota 5, o "nem concordo nem discordo", não passa de 14% a 17% em cada escala.

Seis tribos, duas convicções e uma "terceira via" pequena

Cruzando as duas perguntas, a Nexus construiu uma tipologia com seis perfis de eleitor. Juntos, bolsonaristas e lulistas convictos somam 53% da amostra — mais da metade do eleitorado brasileiro já cristalizada em um dos dois polos:

  • Bolsonaristas convictos (28%) — identificam-se com o antilulismo e rejeitam o antibolsonarismo.
  • Lulistas convictos (25%) — identificam-se com o antibolsonarismo e rejeitam o antilulismo.
  • Não polarizados (20%) — não se engajam nem com o antilulismo, nem com o antibolsonarismo.
  • Anti-Lula e Anti-Bolsonaro (9%) — rejeitam os dois simultaneamente.
  • Bolsonaro como alternativa (7%) — antilulistas indiferentes ao antibolsonarismo.
  • Lula como alternativa (5%) — antibolsonaristas indiferentes ao antilulismo.

Ao longo dos últimos cinco meses de pesquisa (30 de março a 31 de agosto), essa fotografia mudou pouco: os bolsonaristas convictos oscilaram entre 20% e 30%, os lulistas convictos entre 21% e 28%, e os não polarizados entre 20% e 27% — sinal de que a polarização não é um surto de última hora, mas um traço estrutural da eleição.

Quem são os bolsonaristas convictos

O grupo é o maior da pesquisa (28% do total) e tem contornos sociais bem demarcados:

  • Mais concentrado entre homens (33% contra 24% das mulheres);
  • Mais forte entre jovens de 25 a 40 anos (30%) e também entre 16 a 24 anos (29%);
  • Predomina no Ensino Médio (33%) e entre evangélicos (35%, o maior índice religioso do grupo);
  • Mais presente na Região Sul (36%) e entre quem ganha mais de 5 salários mínimos (32%);
  • É o grupo mais fiel ao seu candidato: nas pesquisas de voto estimulado, entre 73% e 86% dos bolsonaristas convictos declaram voto em Flávio Bolsonaro no 1º turno ao longo da série histórica;
  • Suas prioridades de campanha destoam do restante do eleitorado: combate à corrupção é a pauta mais citada (44%, ante 31% na média geral) e crescimento da economia também pesa mais (29% ante 24% geral) — a saúde, prioridade nº 1 do eleitorado em geral (39%), cai para 33% entre eles.

Quem são os lulistas convictos

Com 25% da amostra, o grupo tem um perfil distinto:

  • Levemente mais feminino (28% contra 22% dos homens);
  • Cresce com a idade: de 18% entre 16-24 anos para 28% entre os com 60 anos ou mais;
  • Mais forte entre quem tem Ensino Fundamental (29%) e entre os sem religião (34%, o maior índice do grupo — entre evangélicos cai para 19%);
  • Mais presente no Nordeste (31%, ante 17% no Sul);
  • É o grupo mais fiel entre os dois polos: entre 82% e 91% votam em Lula no 1º turno ao longo da série;
  • Sua pauta prioritária também é a saúde (44%, acima da média geral de 39%) — e não a corrupção, tema que cai para apenas 19% de menções, o mais baixo entre todos os perfis.

O "meio de campo": não polarizados e os pequenos grupos de transição

Os 20% de eleitores não polarizados — que não rejeitam nem Lula nem Bolsonaro — são o grupo mais volátil e o principal alvo da chamada terceira via: entre os 25% do eleitorado que hoje preferem um candidato fora da dobradinha Lula-Bolsonaro, 34% vêm justamente desse grupo, a maior fatia entre todos os perfis. No voto estimulado de 2º turno, eles se dividem sem maioria clara — cerca de 37% a 46% para Lula e 32% a 46% para Flávio Bolsonaro ao longo da série, com boa parcela indo para "nenhum/branco/nulo".

Já os perfis de transição — Lula como alternativa (5%) e Bolsonaro como alternativa (7%) — funcionam como antessalas dos grupos convictos: reúnem eleitores mais jovens (o "Bolsonaro como alternativa" tem 13% de eleitores de 16 a 24 anos, o maior índice etário do grupo) e mais escolarizados (10% têm Ensino Superior). Por fim, o grupo Anti-Lula e Anti-Bolsonaro (9%) — que rejeita simultaneamente os dois nomes — é o mais numeroso entre pessoas de outras religiões (12%) e moradores de regiões metropolitanas (11%), reforçando o perfil de um eleitor cansado da polarização, mas ainda sem candidato de referência.

O que isso diz sobre a corrida

Os números da Nexus confirmam um Brasil eleitoral organizado menos por programas de governo e mais por identidades políticas cristalizadas: mais da metade do país já decidiu contra quem vai votar, independentemente de quem sejam os demais candidatos. A disputa real, mostram os dados, está concentrada nos 20% não polarizados e nos pequenos grupos de transição — juntos, cerca de 41% do eleitorado — que ainda podem se mover entre Lula, Bolsonaro (representado por Flávio) ou uma alternativa de terceira via até outubro.

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