A crise no transporte coletivo de Campinas ganhou um novo componente em meio à reviravolta na licitação bilionária do sistema. A Sancetur (Santa Cecília Turismo), que havia vencido um dos lotes do leilão posteriormente anulado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), colocou à disposição da Prefeitura até 320 ônibus para uma eventual operação emergencial na cidade.
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A oferta foi formalizada em ofício encaminhado nesta quarta-feira (19) ao prefeito Dário Saadi. A empresa afirma ter condições de mobilizar imediatamente veículos fabricados entre 2024 e 2026, além de estrutura operacional e pessoal necessários para a prestação do serviço.
Em contato com o Portal Sampi Campinas, a Prefeitura de Campinas confirma que recebeu o ofício protocolado pela Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda - e encaminhou o documento para a área técnica, que fará uma análise sobre a sugestão da empresa.
O movimento ocorre justamente quando Campinas enfrenta pressão ainda maior sobre o transporte público. A Prefeitura terá de realizar um novo leilão da concessão depois que o TCE anulou a etapa de apresentação das propostas do certame realizado em março.
Empresa cita 24 mil quebras
No documento enviado ao prefeito, a Sancetur usa dados divulgados recentemente sobre o sistema para justificar a oferta.
Segundo a empresa, foram registradas mais de 24,1 mil ocorrências de ônibus quebrados no primeiro semestre de 2026, aumento de 13% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A companhia também menciona mais de 36 mil multas aplicadas às atuais operadoras.
A Sancetur cita ainda o incêndio de um ônibus na Rodovia Santos Dumont, na segunda-feira (17), como argumento para defender uma avaliação das condições de conservação e segurança dos veículos atualmente utilizados.
Em tom duro, a empresa afirma que a situação ultrapassou um problema meramente operacional e passou a afetar diretamente os passageiros, com atrasos, viagens interrompidas e incerteza sobre o cumprimento dos horários.
320 ônibus novos e seminovos
A proposta apresentada ao governo Dário prevê a disponibilização de até 320 ônibus produzidos nos últimos três anos.
Segundo a Sancetur, a empresa também dispõe de garagem estruturada em Campinas e dos recursos humanos necessários para colocar os veículos em circulação caso haja autorização do município.
A companhia sustenta que a entrada da nova frota poderia reduzir quebras e viagens suprimidas, além de ampliar a disponibilidade de veículos reserva.
A oferta, entretanto, não significa que os ônibus serão incorporados ao sistema. Qualquer eventual contratação depende de decisão da Prefeitura e do cumprimento das exigências legais aplicáveis.
Sancetur venceu leilão que terá de ser refeito
A iniciativa também chama atenção pelo momento em que ocorre. A Sancetur participou da licitação aberta pela Prefeitura para substituir o atual modelo de transporte coletivo e saiu vencedora do Lote Sul no leilão realizado em 5 de março, na B3, em São Paulo.
O processo, porém, sofreu uma reviravolta nesta quarta-feira (19). O TCE-SP anulou a etapa de apresentação das propostas e determinou que um novo leilão seja realizado.
Com isso, o resultado anterior deixa de valer e a disputa terá de ser refeita. Não há garantia de que os mesmos participantes estarão no novo certame nem de que o resultado será repetido.
No ofício, a própria Sancetur ressalta que a oferta emergencial não pretende antecipar o resultado da nova disputa nem criar preferência para a companhia na licitação.
A empresa argumenta que sua manifestação trata exclusivamente de uma possível solução temporária para a situação atual do transporte.
Pressão sobre o governo Dário
A oferta coloca agora a decisão nas mãos da Administração municipal. A Sancetur pediu uma reunião em caráter de urgência com a Prefeitura para apresentar as condições de uma eventual operação.
A empresa afirma estar pronta para iniciar a mobilização assim que houver solicitação e autorização do município.
Até o momento, porém, não há definição sobre eventual contratação da Sancetur ou utilização dos 320 ônibus oferecidos.
O episódio acrescenta mais pressão à Prefeitura justamente quando o governo precisa reorganizar os próximos passos da concessão, preparar um novo leilão e, ao mesmo tempo, administrar os problemas enfrentados pelo sistema que continua atendendo diariamente os passageiros de Campinas.