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Haddad promete 'arrumar as contas' e mudar segurança em SP

Por Pedro Dartibale | do Portal GCN/Rede Sampi
| Tempo de leitura: 15 min
Pedro Dartibale/GCN
Fernando Haddad durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no Arena GCN
Fernando Haddad durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no Arena GCN

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o Estado precisará passar por um processo de reorganização financeira caso ele seja eleito e defendeu medidas para ampliar o espaço orçamentário destinado a áreas como segurança, infraestrutura, saúde e educação. “Vou ter que sanear, de novo, as contas de São Paulo”, afirmou. Haddad também apresentou propostas para pequenos municípios, Santas Casas, segurança hídrica e desenvolvimento tecnológico.

Durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Rede Sampi, no podcast Arena GCN (assista ao vídeo acima), Haddad criticou a situação financeira paulista, questionou a execução de investimentos pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defendeu a reforma tributária.

O candidato também detalhou propostas para o uso de inteligência artificial na segurança pública, defendeu maior integração entre as polícias e o Judiciário, comentou sobre as Santas Casas e apresentou sua visão para a educação básica e o ensino superior.

Haddad diz que terá de ‘sanear’ contas de São Paulo

Ao tratar da situação fiscal do Estado, Haddad afirmou que São Paulo está “muito debilitado” financeiramente. Segundo ele, Tarcísio assumiu o governo com R$ 19 bilhões em caixa livre, além de recursos obtidos posteriormente.

O candidato citou a venda da Sabesp, estimada por ele em R$ 13 bilhões, e mencionou ainda cerca de R$ 12 bilhões anuais relacionados à negociação da dívida com a União. Haddad questionou o destino desses recursos.

“Vou ter que sanear, de novo, as contas de São Paulo. Eu vou ter que arrumar as contas do Estado para abrir espaço orçamentário”, afirmou.

Haddad também criticou o que considera uma diferença na forma como as contas públicas nacionais e estaduais são acompanhadas pela imprensa. “A União é fiscalizada o tempo inteiro. O Estado, não”, disse, ao questionar o nível de acompanhamento sobre as finanças paulistas.

O candidato afirmou ainda que parte significativa das obras paulistas é financiada pelo BNDES e por recursos federais. Para Haddad, é necessário distinguir os investimentos efetivamente realizados com recursos próprios do Estado daqueles viabilizados por outras fontes.

Críticas a Bolsonaro e Paulo Guedes

Ao comparar a situação paulista com o ajuste fiscal realizado no governo federal, Haddad também criticou a condução das contas durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Ele diferenciou, porém, a atuação do então ministro da Economia, Paulo Guedes, das decisões tomadas por Bolsonaro. Segundo Haddad, Guedes defendia uma linha de austeridade, embora o candidato do PT discorde da forma como ela foi aplicada.

“Eu fiz um outro tipo de ajuste no andar de cima. Gente que não pagava imposto, gente que tinha benefício fiscal inexplicável”, afirmou.

Haddad também criticou o aumento de benefícios e gastos durante o governo Bolsonaro. Para ele, o ajuste fiscal precisa atingir setores que possuem benefícios tributários ou que, segundo sua avaliação, não contribuem proporcionalmente.

“Não é cortar do pobre. É fazer quem não paga imposto pagar”, disse.

Para Haddad, uma eventual reorganização das contas paulistas deverá abrir espaço para novos investimentos sem depender exclusivamente da ampliação de gastos.

Inteligência artificial como ferramenta de segurança

Na área da segurança pública, Haddad afirmou que pretende utilizar tecnologia para acelerar o atendimento às ocorrências e melhorar o planejamento das forças policiais.

Uma das propostas é ampliar o uso de inteligência artificial no atendimento do 190 e no registro de boletins de ocorrência. O candidato citou a possibilidade de registrar ocorrências por WhatsApp e áudio.

A ideia, segundo Haddad, é reunir as informações em uma grande base de dados, permitindo o processamento praticamente em tempo real.

“Eu vou lançar num banco de dados que instantaneamente vai fazer um processamento dos dados para a gente ter em tempo real o que está acontecendo no Estado, cidade por cidade e bairro por bairro”, afirmou.

Segundo o candidato, a tecnologia permitiria transformar os registros cotidianos em informação para orientar a atuação policial.

“Você vai saber onde está acontecendo o crime, que tipo de crime está acontecendo, em que horário está acontecendo”, afirmou.

Com essas informações, Haddad defende que seria possível planejar a atuação preventiva e ostensiva das forças de segurança e, ao mesmo tempo, melhorar as investigações.

Combate à impunidade

Haddad afirmou que o problema da segurança pública não está apenas na quantidade de policiais disponíveis. Para ele, também é necessário aumentar a capacidade de investigação e esclarecimento dos crimes.

O candidato criticou a atuação da Polícia Civil durante o governo Tarcísio e afirmou que os índices de esclarecimento de crimes não teriam avançado.

“O Estado não investiga nada”, declarou.

Na avaliação de Haddad, a certeza de que um crime será esclarecido e haverá punição é mais importante para a prevenção do que simplesmente aumentar as penas.

“É muito mais eficiente do que aumento de pena, 100 anos, 200 anos de cadeia, é o combate à impunidade”, afirmou.

Para o candidato, a discussão sobre segurança precisa, portanto, ultrapassar o debate sobre quantidade de policiais ou endurecimento de penas.

“Não adianta você aumentar a pena se ninguém é preso”, disse.

Polícia, Ministério Público e Judiciário

Haddad também defendeu uma maior articulação entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário.

Ao discutir situações em que pessoas presas ou detidas acabam liberadas, ele mencionou casos envolvendo motoristas embriagados, crimes violentos e feminicídios.

Para o candidato, o governador deveria participar diretamente da discussão com o Tribunal de Justiça para compreender os procedimentos adotados desde a abordagem policial até a análise judicial da prisão.

Haddad fez ainda uma distinção entre suspeita e acusação e citou a necessidade de considerar autoria e materialidade na avaliação de cada caso.

“Se a gente não sentar com o Judiciário para entender e compatibilizar os procedimentos da Polícia Militar e da Polícia Civil com o juiz que vai receber o conjunto probatório para manter ou não alguém na cadeia, o mal acontecerá”, afirmou.

Segundo Haddad, o governador precisa assumir a responsabilidade pela articulação entre as instituições.

“É preciso conversar com o Judiciário. É preciso conversar com o Ministério Público. É preciso conversar com a Polícia Militar e com a Polícia Civil”, afirmou.

Governador deve assumir responsabilidade, diz Haddad

A defesa de uma atuação direta do governador apareceu também em outros pontos da entrevista.

Haddad criticou Tarcísio por, segundo ele, transferir responsabilidades para secretários e afirmou que pretende concentrar diretamente em seu gabinete questões consideradas estratégicas.

“Eu vou puxar para a minha mesa”, disse.

O candidato usou como exemplo a reforma tributária, que, segundo ele, foi conduzida com participação direta durante sua passagem pelo governo federal.

“Governador tem que assumir a responsabilidade. Não pode ficar jogando para secretário”, afirmou.

A lógica, segundo Haddad, é que o chefe do Executivo seja diretamente responsabilizado pelos resultados das principais políticas públicas.

Prefeitos do interior e investimentos

Haddad também afirmou perceber insatisfação de prefeitos do interior com a relação mantida pelo governo estadual.

Segundo ele, parte dos compromissos executados durante a atual gestão teria sido herdada de convênios firmados em 2022 pelo então governador Rodrigo Garcia.

Haddad afirmou que Garcia conhecia melhor a dinâmica política do Estado e havia firmado diversos convênios antes de deixar o governo.

Na avaliação do candidato, Tarcísio acabou executando parte desses compromissos, mas concentrou obras em um número restrito de municípios.

“Tem prefeito que está reclamando que não recebe investimento direto”, afirmou.

Ele também criticou a situação das estradas vicinais e mencionou problemas relacionados aos pedágios e ao sistema Free Flow, incluindo dificuldades para motoristas compreenderem a cobrança e possíveis indenizações às concessionárias.

Reforma tributária e reindustrialização

Haddad defendeu a reforma tributária como uma das principais oportunidades para a retomada da indústria paulista.

Segundo ele, a mudança no sistema tributário deverá encerrar a chamada guerra fiscal entre os Estados, mecanismo que, em sua avaliação, contribuiu para a perda de competitividade de São Paulo.

“A guerra fiscal desindustrializou São Paulo. A reforma tributária acaba com a guerra fiscal. Ponto”, afirmou.

Para Haddad, o fim desse mecanismo deverá favorecer a reindustrialização paulista.

“A gente vai voltar a industrializar São Paulo”, disse.

O candidato também criticou a possibilidade de revogação da reforma e cobrou uma posição de Tarcísio sobre o tema.

Tarifas americanas

O candidato relacionou o atual cenário industrial às tarifas impostas pelo governo Donald Trump e criticou a postura do bolsonarismo diante da relação com os norte-americanos.

Ao falar sobre a proximidade de Tarcísio com o ex-presidente dos Estados Unidos, Haddad fez uma provocação bem-humorada envolvendo o episódio em que o governador apareceu usando um boné associado ao governo norte-americano.

“Eu acho que o governador tem que colocar o boné certo, o boné do brasileiro”, afirmou Haddad.

A fala foi usada pelo candidato para defender uma postura que, segundo ele, priorize os interesses econômicos do país e de setores diretamente afetados pelas medidas norte-americanas.

O candidato também afirmou acreditar que o quadro poderá mudar após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com possível alteração da correlação política no país.

Para Haddad, a discussão sobre as tarifas não pode ser separada dos efeitos concretos sobre a economia paulista e, especialmente, sobre cidades cuja atividade industrial possui forte dependência do mercado externo.

Mudanças climáticas e segurança hídrica

Outro eixo apresentado por Haddad foi a adaptação de São Paulo às mudanças climáticas.

O candidato criticou o que classificou como “negacionismo” climático e defendeu a criação de políticas de segurança e resiliência hídrica.

“Vai faltar água se nada for feito. Nós vamos trabalhar para não faltar”, afirmou.

Entre as medidas citadas, estão a ampliação da reservação de água, investimentos em infraestrutura e preparação para períodos de escassez.

“Não adianta esperar faltar água para depois tomar providência”, disse.

Haddad também chamou atenção para o problema oposto: o excesso de água. Segundo ele, o Estado precisa estar preparado para eventos extremos que provoquem enchentes e inundações.

Seguro para eventos extremos

Haddad defendeu ainda a criação de mecanismos de seguro específicos para eventos climáticos extremos.

Segundo ele, as seguradoras enfrentam dificuldades para oferecer proteção diante do risco de grandes prejuízos concentrados em períodos de eventos severos.

“Não existe seguro para um evento que quebra todo mundo ao mesmo tempo”, afirmou.

O candidato citou discussões conduzidas pelo governo federal e pela Superintendência de Seguros Privados sobre a criação de mecanismos capazes de proteger produtores e atividades econômicas.

Tecnologia e desenvolvimento econômico

Na visão de Haddad, o desenvolvimento paulista também dependerá da capacidade de atrair novas atividades econômicas ligadas à tecnologia.

Ele citou inteligência artificial e data centers como setores que precisam ser incorporados à estratégia de desenvolvimento do Estado.

“São Paulo precisa se preparar para a economia do futuro”, afirmou.

Para isso, disse ser necessário combinar infraestrutura, disponibilidade de água, energia e capacidade industrial.

A proposta, segundo Haddad, é criar condições para que São Paulo receba investimentos em novas tecnologias sem comprometer os recursos necessários às demais atividades econômicas.

Haddad propõe verba específica para pequenos municípios

Na relação com as prefeituras, Haddad defendeu a criação de uma rubrica específica no orçamento estadual para municípios de menor porte.

A proposta teria como critério principal a população, já que existem municípios territorialmente grandes, mas com poucos habitantes.

“Eu faria isso. Eu acho que nós precisamos ter uma rubrica específica para pequeno município”, afirmou.

A ideia seria garantir recursos para que as prefeituras consigam executar obras e manter serviços e infraestrutura mesmo quando possuem menor capacidade financeira.

“Tem município que não consegue fazer uma obra de infraestrutura sozinho”, afirmou.

Santas Casas e central de compras

Haddad também apresentou propostas para as Santas Casas paulistas, que, segundo ele, enfrentam dificuldades financeiras e endividamento.

A primeira medida seria viabilizar o refinanciamento das dívidas com juros menores, com possibilidade de participação do Estado como avalista.

“Eu quero ajudar a Santa Casa a sair do endividamento”, afirmou.

A segunda proposta envolve a criação de uma central de compras para as instituições.

A lógica seria concentrar as aquisições e utilizar o maior volume de compras para negociar preços menores.

Haddad citou como referência uma experiência realizada durante sua passagem pelo governo federal com hospitais universitários.

Segundo ele, a centralização das compras teria permitido redução de 50% a 60% nos preços de determinados produtos.

Para as Santas Casas paulistas, a estimativa apresentada por Haddad é de uma economia de aproximadamente R$ 350 milhões.

Projetos de Tarcísio podem ser revisados

Questionado sobre quais projetos do governo Tarcísio seriam mantidos ou revistos, Haddad afirmou que pretende analisar contratos estaduais para identificar possíveis impactos financeiros.

O candidato citou o Trem Intercidades, o túnel Santos-Guarujá, a transferência da sede administrativa do governo paulista para a região central e ações relacionadas à Cracolândia.

“Eu vou revisar os contratos. Eu vou olhar contrato por contrato”, afirmou.

Sobre os contratos, Haddad afirmou que a revisão seria necessária para evitar prejuízos ao Estado.

Ele também mencionou contratos de concessão firmados durante sua passagem pelo governo federal e disse ter identificado problemas apontados pelo Tribunal de Contas.

Haddad contestou a ideia de que projetos como o Trem Intercidades e o túnel Santos-Guarujá sejam exclusivamente iniciativas de Tarcísio.

Segundo ele, os projetos já haviam sido desenvolvidos anteriormente e foram viabilizados com participação do governo federal.

“Não é obra do Tarcísio. São projetos anteriores”, afirmou.

O candidato atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma postura institucional de apoio a projetos considerados importantes para São Paulo, independentemente da relação partidária com o governo estadual.

Haddad também citou a participação do Ministério da Fazenda na estruturação das iniciativas.

Campo de Marte pode afetar sede administrativa

Haddad levantou ainda uma questão relacionada à transferência da sede administrativa do governo estadual para a região central.

Segundo ele, a situação do Campo de Marte precisa ser analisada porque a ampliação da operação aérea no aeroporto poderá exigir alterações no chamado cone de aproximação.

O candidato relatou a disputa judicial envolvendo o Campo de Marte e a Prefeitura de São Paulo, além da utilização da área em uma negociação relacionada à dívida municipal com a União.

“Eu vou conversar com a Aeronáutica”, afirmou Haddad.

O candidato disse que pretende verificar tecnicamente a situação antes de avaliar os possíveis impactos sobre o projeto da sede administrativa.

Capital e interior têm comportamentos diferentes

Sobre seu desempenho eleitoral, Haddad afirmou que o PT historicamente apresenta resultados diferentes na capital e no interior.

Segundo ele, pesquisas apontam maior competitividade na capital, enquanto o partido enfrenta mais dificuldades no interior.

Haddad comparou São Paulo a diferentes regiões dos Estados Unidos, como Califórnia e Texas, para explicar a diversidade política existente dentro de um mesmo território.

“São Paulo é um Estado muito diferente. Você tem vários ‘Brasis’ dentro de São Paulo”, afirmou.

Para o candidato, essa diversidade exige diálogo com diferentes setores da população.

“Você tem que conversar com todo mundo”, disse.

Ele também atribuiu parte da avaliação positiva de governos à polarização política e afirmou não enxergar necessariamente uma relação direta entre aprovação e resultados administrativos.

Haddad critica educação básica de São Paulo

Na educação, Haddad afirmou que São Paulo perdeu posições em determinado indicador de desempenho e citou uma queda da terceira para a décima colocação.

Segundo ele, a informação foi posteriormente checada pela imprensa.

O candidato criticou o projeto pedagógico adotado pelo governo paulista e questionou o uso de plataformas digitais como parte central do trabalho docente.

Para Haddad, a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio, e não substituir a atuação do professor.

“A tecnologia tem que ser um acessório a favor da educação”, afirmou.

Ele defendeu que o professor tenha mais tempo para preparar as aulas, em vez de concentrar parte da jornada no preenchimento de plataformas e relatórios.

Institutos Federais como referência

Haddad também recuperou sua experiência como ministro da Educação e citou a construção do projeto pedagógico dos Institutos Federais.

Segundo ele, especialistas foram reunidos para discutir o modelo de ensino antes da elaboração da proposta.

“Eu não sei tudo, então eu chamo quem sabe muito, sabe muito mais do que eu, e eu presido os trabalhos”, afirmou.

O candidato apresentou os Institutos Federais como exemplo de educação pública de qualidade e defendeu a utilização de experiências bem-sucedidas como referência para outras redes de ensino.

Universidades públicas e pesquisa científica

Ao discutir as universidades paulistas, Haddad defendeu a importância da USP, Unicamp e Unesp e afirmou que a educação superior pública não pode ser analisada apenas pelo custo direto por estudante.

Ele destacou a produção científica realizada pelas universidades e criticou a inclusão das despesas com pesquisa no cálculo apresentado como custo individual dos alunos.

“Você não pode pegar o custo da pesquisa e jogar na conta do aluno”, afirmou.

Segundo Haddad, uma parcela significativa da pesquisa brasileira é produzida em universidades públicas.

Para ele, portanto, a discussão sobre financiamento precisa considerar também a produção científica e tecnológica gerada pelas instituições.

Permanência de estudantes pobres

Haddad também destacou a mudança no perfil socioeconômico das universidades federais após a expansão das vagas e a reserva de oportunidades para estudantes de escolas públicas.

Segundo ele, não basta garantir o ingresso de alunos de baixa renda: é necessário criar condições para que eles permaneçam nos cursos.

“Não adianta colocar o pobre para dentro da universidade e depois ele não conseguir permanecer”, afirmou.

O candidato citou bolsas e auxílios, a Lei da Aprendizagem, bolsas de iniciação científica e uma proposta de alistamento civil como possíveis instrumentos.

A preocupação, segundo Haddad, é evitar que estudantes abandonem a universidade por falta de recursos para alimentação, moradia ou outras despesas básicas.

Cobrança de mensalidade nas universidades

Questionado sobre a possibilidade de estudantes de alta renda pagarem pelo ensino em universidades públicas, Haddad afirmou que a gratuidade é uma determinação constitucional.

Ele reconheceu que considera inadequado o modelo anterior, no qual estudantes de maior renda tinham forte presença nas universidades públicas, mas descartou a cobrança como solução central.

“A gratuidade está na Constituição”, afirmou.

Haddad citou ainda a possibilidade de contribuições voluntárias de ex-alunos e afirmou que uma eventual cobrança poderia gerar pouca receita diante do desgaste político e administrativo envolvido.

“Você vai arrecadar muito pouco e criar um problema enorme”, disse.

O candidato voltou a destacar a expansão das vagas e a reserva para estudantes de escolas públicas como uma mudança estrutural no acesso ao ensino superior.

‘Taxa das blusinhas’

No fim da entrevista, Haddad também falou sobre a chamada “taxa das blusinhas”, cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor.

O candidato afirmou ser favorável à medida e explicou que houve divergência dentro do governo federal. Segundo ele, o presidente Lula inicialmente era contrário à cobrança, enquanto Haddad defendia a aprovação.

“Eu era a favor. O presidente era contra”, afirmou.

Haddad afirmou que o Congresso aprovou a tributação e destacou que a votação teve apoio de partidos da base e da oposição.

Ele também criticou Tarcísio pela forma como o tema vem sendo tratado no debate eleitoral.

ICMS sobre compras internacionais

Haddad afirmou que a cobrança do ICMS sobre essas compras começou no governo Tarcísio, em agosto de 2023, segundo a cronologia apresentada por ele.

Na sequência, o Congresso teria aprovado a parcela federal da tributação.

O candidato argumentou que a medida busca estabelecer condições semelhantes de competição entre produtos vendidos pelo varejo brasileiro e mercadorias importadas.

Segundo Haddad, o varejo nacional pressionou pela mudança justamente para reduzir uma diferença de competitividade entre os produtos.

“A teoria que está por trás é que o varejo do Brasil e o varejo de fora do Brasil não competem em condições de igualdade”, afirmou.

Para Haddad, a tributação seria, portanto, uma forma de estabelecer condições mínimas de competitividade entre os dois mercados.

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