A secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, esteve em Araçatuba nesta quarta-feira (12) para acompanhar ações de enfrentamento à violência contra a mulher e a adesão do município ao Pacto Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
Em entrevista à Folha da Região, a secretária falou sobre o fortalecimento da rede de proteção, os canais de denúncia, a implantação de grupos reflexivos para homens autores de violência e as dificuldades enfrentadas pelas vítimas para romper o ciclo de agressões.
Confira os principais trechos:
Folha da Região – O que muda para Araçatuba com a adesão ao pacto?
Adriana Liporoni – A Secretaria de Políticas para a Mulher leva aos municípios as ações do Governo do Estado e incentiva a criação de organismos de políticas para as mulheres. Queremos fomentar a criação de secretarias, diretorias ou coordenadorias da mulher, para fortalecer a rede de proteção. Também levamos cursos de capacitação para que as mulheres possam se reinserir no mercado de trabalho e conquistar autonomia financeira. Outro ponto é o fomento à criação dos grupos reflexivos para homens, previstos na Lei Maria da Penha.
Folha – Como funciona o Circuito Integrado de Proteção às Mulheres?
Adriana – É um equipamento itinerante que reúne vários serviços. A mulher tem atendimento presencial da Delegacia de Defesa da Mulher, pode registrar boletim de ocorrência e solicitar medida protetiva de urgência. Há atendimento psicológico, Defensoria Pública, Ministério Público e Poder Judiciário. Se ela não quiser registrar uma ocorrência, pode buscar orientação para questões como pensão alimentícia, guarda dos filhos e divórcio. A proposta é reunir a rede e facilitar o acesso da mulher aos serviços.
Folha – Como o Estado avalia o crescimento dos registros de violência doméstica?
Adriana – Se, por um lado, existe um maior acesso das mulheres às ferramentas que o Estado coloca à disposição para denúncia, por outro, não podemos desprezar esses números. Por isso, o Governo do Estado tem vários programas e ações em andamento, desde a prevenção e o acolhimento até a repressão. Temos 144 Delegacias de Defesa da Mulher e mais de 200 Salas DDM no Estado, além da Delegacia Eletrônica e do aplicativo SP Mulher Segura.
Folha – O que o aplicativo SP Mulher Segura oferece?
Adriana – A mulher encontra informações e endereços de órgãos públicos, delegacias, Defensoria e rede municipal. Também pode registrar boletim de ocorrência e pedir medida protetiva de urgência. Para aquelas que já possuem medida protetiva decretada, há o botão do pânico. Ao acioná-lo diante da aproximação do agressor, uma viatura da Polícia Militar é destacada para o atendimento.
Folha – Como fazer com que mais mulheres se sintam seguras para denunciar?
Adriana – Um dos maiores desafios é fazer com que essa mulher denuncie ou se encoraje a denunciar. Precisamos mostrar que ela tem meios para isso e que, quando abre essa porta, o Estado enxerga a situação e ela é inserida em uma rede de proteção. Também precisamos oferecer autonomia, porque muitas vezes existe uma dependência financeira e econômica. Temos cursos de capacitação, auxílio-aluguel e outras ações para ajudá-la a romper esse ciclo.
Folha – E como chegar às vítimas que ainda não conseguem procurar ajuda?
Adriana – É um trabalho árduo de conscientização e informação à população e à sociedade, porque não é uma responsabilidade apenas da mulher. A informação serve para todos. Um homem pode conhecer uma amiga, irmã ou vizinha que esteja passando por essa situação e ajudá-la. É uma responsabilidade de todos. Precisamos fazer com que cada vez mais pessoas conheçam os serviços e saibam como acessá-los.