CONDENAÇÃO

Patrick Brito e William Bosco são condenados por ameaças a juiz

Por Guilherme Renan | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Patrick Brito, foragido da Justiça brasileira, no Parque Tasmajdan, em Belgrado, na Sérvia
Patrick Brito, foragido da Justiça brasileira, no Parque Tasmajdan, em Belgrado, na Sérvia

Uma sentença de 134 páginas proferida pelo juiz Adriano Pinto de Oliveira, da 3ª Vara Criminal de Araçatuba, condenou Patrick Cesar da Silva Brito e William Giacomo Bosco por uma série de crimes praticados contra o juiz Roberto Soares Leite, titular da 1ª Vara Criminal da comarca.

A decisão reconhece que os réus promoveram perseguições, ameaças, ofensas e tentativas de intimidação com o objetivo de interferir no regular andamento de processos judiciais.

Segundo a sentença, os fatos ocorreram entre julho e agosto de 2025. Durante esse período, Patrick Brito e William Bosco passaram a perseguir reiteradamente o magistrado, restringindo sua liberdade, promovendo ameaças e utilizando redes sociais para atacar sua honra e sua atuação funcional. Em uma das acusações acolhidas pela Justiça, os dois também foram responsabilizados por incitar publicamente a prática de crimes contra o juiz, sua esposa e seus filhos menores. 

O processo revela ainda que Patrick Brito utilizou redes sociais, e-mails e outros canais de comunicação para atacar integrantes do Poder Judiciário, policiais civis, promotores de Justiça e demais agentes públicos. Conforme o magistrado, as mensagens tinham como finalidade criar um ambiente de intimidação e impedir o avanço das ações penais movidas contra ele. 

A repercussão das ameaças foi tamanha que os juízes da 1ª e da 2ª Varas Criminais de Araçatuba declararam suspeição para continuar atuando em processos envolvendo Patrick Brito. Em razão disso, os feitos foram redistribuídos para a 3ª Vara Criminal, que atualmente concentra nove ações penais em desfavor do acusado. 

Ao fundamentar a condenação, o juiz Adriano Pinto de Oliveira afirmou que o comportamento de Patrick Brito extrapolou completamente os limites do direito de defesa, transformando-se em uma estratégia deliberada para impedir a atuação da Justiça.

"Sua ausência da sala de audiências é fruto de escolha deliberada e abusiva, e não de circunstância que o sistema jurídico deva remediar ou sanar. Tais condutas não podem ser admitidas pelo Poder Judiciário." 

Em outro trecho contundente da decisão, o magistrado afirma que o acusado não buscava exercer regularmente sua defesa, mas sim impedir que os processos chegassem ao julgamento.

"O acusado não quer ser interrogado para o exercício legítimo da autodefesa, mas sim um instrumento de manobra obstrutiva da persecução penal e possível decretação de nulidade." 

A sentença também destaca que Patrick Cesar da Silva Brito permanece foragido fora do Brasil, possui diversos mandados de prisão preventiva expedidos, integra a lista de difusão vermelha da Interpol e é alvo de procedimentos de extradição para responder aos processos perante a Justiça brasileira.

Condenações

Patrick Cesar da Silva Brito foi condenado pelos crimes de perseguição (stalking), coação no curso do processo, injúria, difamação e incitação ao crime. Somadas, as penas chegam a 14 anos, 9 meses e 18 dias, sendo 7 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 7 anos de detenção, em regime inicial semiaberto.

William Giacomo Bosco foi condenado pelos crimes de perseguição, coação no curso do processo e incitação ao crime. A pena total fixada foi de 7 anos, 4 meses e 28 dias, sendo 6 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além de 7 meses e 10 dias de detenção, em regime semiaberto.

Ao final da sentença, o juiz Adriano Pinto de Oliveira concluiu que o conjunto de provas reunido durante a instrução processual comprovou a responsabilidade criminal dos dois réus, rejeitando as teses apresentadas pelas defesas e mantendo as medidas cautelares impostas ao longo da tramitação do processo. 

A defesa técnica de Patrick informou que recebe a sentença com tranquilidade e irá interpor recurso. "A defesa reitera a inocencia de Patrick", disse o advogado Paulo Klein.

Comentários

Comentários