POLÍCIA

Diarista suspeita de matar idosos com 24 facadas é indiciada

da Folhapress
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A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, é suspeita de matar um casal de idosos
A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, é suspeita de matar um casal de idosos

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de matar um casal de idosos com pelo menos 24 facadas em Belo Horizonte, foi indiciada pela Polícia Civil por latrocínio. Outras quatro pessoas também responderão por recepção.

Polícia concluiu o inquérito após 13 dias de investigação. Além da diarista, quatro homens foram indiciados por receptação qualificada após adquirirem bens roubados da casa das vítimas. Segundo a Polícia Civil, eles procuraram espontaneamente a corporação, acompanhados de advogados, afirmaram desconhecer a origem ilícita dos objetos e devolveram os itens. Por isso, de acordo com a investigação, eles poderão ter redução de pena por arrependimento posterior.

Investigação foi conduzida pela 2ª Delegacia Especializada em Investigação e Repressão ao Furto e Roubo, do Depatri. Segundo a Polícia Civil, não há, até o momento, não há elementos concretos que indiquem a participação de outras pessoas no latrocínio do casal.

Defesa diz que não comentará indiciamento. O advogado Bruno Correa, que representa a diarista Paola Stefany Neto Cirino, afirmou que não vai se manifestar, por enquanto, sobre o indiciamento da cliente.

Cena do crime foi grotesca, diz polícia

Casal foi morto a facadas dentro de apartamento. A perícia apontou que o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, foi atingido por 17 facadas, e a esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, com sete golpes. Os dois foram encontrados mortos no imóvel onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

Investigação apura possível latrocínio. A perícia não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias. Familiares também relataram o desaparecimento de objetos, como celulares e uma bolsa de grife.

"Para vocês terem uma ideia da cena que a equipe teve no local, a cena foi grotesca, muito sangue casa afora. Foi de extrema barbárie e violência a forma como esses idosos foram acionados. Só para vocês terem uma ideia, a senhora tinha sete facadas no corpo e o homem, 17. Isso por si só já denota quão intencionada esta autora estava em ceifar a vida dos idosos", disse a Polícia Civil em coletiva de imprensa.

Filho encontrou os pais mortos. O casal foi localizado após o filho estranhar a falta de contato desde a manhã de segunda-feira. Segundo a Polícia Militar, Maria Clotilde estava caída na sala, enquanto Cláudio foi encontrado sobre a cama de um dos quartos.

Polícia encontrou roupa com manchas de sangue. A peça foi localizada em uma caçamba de lixo e, segundo os investigadores, pode ter sido descartada pela suspeita durante a fuga. O material será submetido à perícia.

Diarista ficou quase oito horas no apartamento

Câmeras registraram entrada e saída da suspeita. Imagens do circuito de segurança mostram que a diarista entrou no condomínio por volta das 7h e deixou o prédio às 15h30. Segundo a investigação, ela saiu usando roupas diferentes das que vestia ao chegar e carregava uma sacola que seria de uma das vítimas.

Suspeita confessou o crime, segundo a polícia. Paola Stefany Neto Cirino admitiu ter matado o casal e afirmou que vendeu por cerca de R$ 3 mil objetos levados do apartamento, como relógios, bolsa e celulares. Os agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro.

"A gente pode estimar em R$ 200 mil, mas esses valores na revenda no mercado paralelo é fantasioso, ela inclusive confessou que vendeu tudo por R$ 3.300. Não acho que deve ser mentira porque, realmente, na rua, o que vale é o momento, a rapidez", disse Gustavo Barletta, delegado.

Polícia mantém investigação. A Polícia Civil informou apenas que o caso segue em apuração, com a realização de depoimentos. A principal linha de investigação é de latrocínio, crime de roubo seguido de morte.

O que diz a defesa de Paola

Defesa de diarista reafirma confiança no Judiciário. Em nota, o advogado Bruno Correa disse que apresentará seus argumentos no momento oportuno, com base nas provas do processo. Também sustentou que a responsabilidade da investigada deve ser definida apenas ao fim da instrução processual, e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso.

As razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno, com base nos elementos constantes dos autos e nas provas que vierem a ser produzidas, sempre com respeito às instituições e à atuação das autoridades competentes.

"Neste momento, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e ressalta que qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso", disse a defesa de Paola.

Quem eram as vítimas

Advogado atuava em Belo Horizonte. Cláudio Atala Inácio fundou, em 1995, o escritório Atala Inácio & Advogados Associados. Era formado e pós-graduado em Direito Empresarial pela PUC Minas.

OAB-MG lamentou a morte. A seccional mineira informou que acompanhará as investigações e anunciou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, caso haja denúncia.

Empresária teve loja de decoração. Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio era empresária e foi proprietária de uma loja de presentes e artigos de decoração no bairro São Pedro. A Polícia Civil ainda investiga a motivação e a dinâmica do crime.

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