O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que vai dissolver o governo que mantém na Faixa de Gaza e transferir a administração do território para um comitê tecnocrático palestino previsto no plano de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. A medida é anunciada durante o impasse na implementação do acordo e, segundo analistas, aumenta a pressão sobre Israel.
Em comunicado, o grupo afirmou que está preparado para entregar a gestão civil ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza, responsável por conduzir o enclave conforme os termos do acordo. O Hamas também pediu que mediadores internacionais atuem para permitir a entrada do órgão no território.
O anúncio, porém, não menciona o desarmamento do grupo, uma das principais exigências previstas na segunda fase do plano de cessar-fogo e ponto que permanece sem consenso.
Apesar da declaração, o Hamas continua controlando as áreas de Gaza que não estão sob ocupação militar israelense. Especialistas avaliam que a iniciativa tem caráter principalmente político e busca destravar as negociações, voltando a pressão para Israel.
O Comitê de Paz, criado para acompanhar a implementação do acordo, informou que recebeu o anúncio, mas declarou que aguardará ações concretas. O órgão reiterou que a administração de Gaza deve seguir o princípio de "uma autoridade, uma lei e uma arma", em referência à necessidade de desarmamento.
O plano de cessar-fogo entrou em vigor em outubro, mas ainda enfrenta dificuldades para ser executado integralmente. Entre os pontos pendentes estão a retirada das tropas israelenses de áreas previstas no acordo, a instalação do comitê tecnocrático em Gaza e o envio de uma força internacional para apoiar a transição administrativa.
Com informações da CNN.