OPINIÃO

Não existe chuva ruim

Por Hélio Consolaro | especial para a Folha da Região
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

A chuva é o encontro do céu com a terra. A parte água de meu corpo vibra com a chuva. Sujar a água de nosso ambiente é poluir nosso corpo, é pegar doença. Como é bom receber a água mansa da chuva, sem derrubar casas. Apesar de os donos do mundo terem tido arrebentado com a nossa natureza, em Araçatuba e região, ainda não fomos castigados com tempestades. Eu que morei em taperas, com bacias pela casa na hora da chuva, receber as gotoras, me sinto rico ter uma boa casa para me abrigar. A chuva é o e encontro da terra com seus habitantes. Aleluia!

Nem sempre caipira

Nem toda festa junina é caipira. Às vezes a chamam disso, mas não passa de uma quermesse qualquer. Fui conhecer festa junina na escola da cidade, porque antes as festas dos três santos fogueteiros eram realizadas na minha casa, como reza. O clube da corrida do Sesc promoveu uma verdadeira festa caipira, bem no estilo, na comida e na música, com jantar. Arroz doce, canjica, quentão, torresmo.  E foi realizada num ambiente de chácara, lembrando os antigos sítios: da Josy Zuncon. Na mesma estrada em que eu caminhava quilômetros para chegar à escola. Relembrei meu tempo de criança.

Sementes negras

Quando vejo jovens se alinhando suas vidas com a arte, principalmente sendo pobres, eu me entusiasmo. Assim foi com a apresentação do grupo "Os Hedonistas", de Birigui. que teve seu projeto financiado pelo Ministério da Cultura. Eles apresentaram o texto da escritora afrodescendente brasileira Conceição Evaristo no teatro São João de Araçatuba na última segunda-feira, dia 22.

Sinopse: Maria, uma mãe solteira que leva melão para os filhos que nunca provaram a fruta. Zaíta, uma menina em busca de sua figurinha flor na favela. Lumbiá, um menino esperto que vende chicletes e flores pela cidade, sonhando em ver o famoso presépio do casarão no Natal. Entre violência, miséria e resistência, corpos pretos florescem, persistem. Negras Sementes é um espetáculo denunciando a condição do povo negro em nosso país.

Hiroshima Nagasaki

De repente me vi convidado para um ato público com o título “Os Três Sobreviventes de Hiroshima”, teatro da Associação Nipo, em Araçatuba, que possui uma sala para 500 pessoas. Nesses tempos de guerra em que vivemos, em que um louco comanda o mundo, um espetáculo desse naipe se transforma num ato pela paz. A promoção foi do Sesc de Araçatuba. Casa cheia. Quinhentas pessoas. Fui com a Fátima Florentino e lá me encontrei com o ex-aluno Marcelo Tutumi.

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna (RJ)

 

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