Na Marcha para Jesus no Rio, Malafaia associa política e religião
A 19ª edição da Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis neste sábado (23) no centro do Rio de Janeiro e teve discursos com forte tom político e religioso durante a programação na praça da Apoteose.
Um dos principais líderes evangélicos ligados ao bolsonarismo, o pastor Silas Malafaia criticou pautas como aborto e ideologia de gênero e associou escolhas eleitorais a princípios religiosos.
"Não é possível homens maus estarem no controle da nação. Gente que odeia os princípios da palavra, gente que defende aborto, que defende ideologia de gênero, gente que defende devassidão moral", afirmou.
A fala ocorreu durante a programação principal do evento, promovido pela Igreja Renascer em Cristo, e dialogou diretamente com o tema escolhido para a edição deste ano: "O Poder da Decisão".
Sem citar nomes diretamente, Malafaia também criticou cristãos que, segundo ele, não levam suas convicções religiosas para a política.
"O comunista é comunista em casa, no trabalho, na escola, nas relações sociais e na hora de votar. Cristianismo não é religião, gente. Cristianismo é estilo de vida", disse o pastor.
Na sequência, completou: "O crente, não. São crentes em tudo, mas na hora de votar, votam em vagabundo, ladrão, em gente que nos odeia, votam em gente que odeia a Bíblia."
Durante o discurso, Malafaia chamou ao palco o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), Douglas Ruas (PL), adversário do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) na disputa para o governo estadual, para conduzir uma oração. Ao apresentá-lo, afirmou que o deputado representava "tudo que é governo, presidente da República, governador, prefeito, senador e deputado".
O pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) era esperado por aliados no evento, mas não compareceu. Segundo a assessoria do parlamentar, ele permaneceu em Brasília neste fim de semana para reuniões com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Marcha para Jesus começou às 14h, com concentração na avenida Presidente Vargas, na altura da avenida Passos. Os participantes seguiram em caminhada até a praça da Apoteose, onde artistas da música gospel se apresentaram ao longo do dia.
A organização estima que 300 mil pessoas participaram do evento. A prefeitura não fez contagem.
O palco da Apoteose reúne até as 22h nomes conhecidos da música gospel, como Thalles Roberto, Maria Marçal, Midian Lima, Waguinho, Samuel Messias e Rachel Malafaia.
Realizada desde 1998, a Marcha para Jesus foi reconhecida em 2023 como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro e integra o calendário oficial da cidade.
A Prefeitura do Rio montou uma operação especial para o evento, com agentes de sete órgãos municipais atuando em ações de trânsito, ordem pública e limpeza urbana.
Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), 145 câmeras e dois drones monitoram a movimentação do público ao longo do percurso e em estações de transporte da região central.