PM é preso sob suspeita de matar mulher a tiros no interior de SP
Um policial militar de 40 anos foi preso na terça-feira (5) sob suspeita de matar uma mulher com quem mantinha um relacionamento, em Avaré, a cerca de 260 km de São Paulo.
O feminicídio é investigado pela Polícia Civil. A arma que teria sido utilizada no crime, pertencente à Polícia Militar, foi apreendida.
A tipificação do feminicídio ocorre quando a morte decorre de violência de gênero (quando o fato de ser mulher determina a motivação do crime), por violência doméstica ou familiar.
Aos policiais que atenderam a ocorrência, José Augusto de Andrade Paifer disse que havia ocorrido uma tragédia. A mulher foi encontrada morta dentro de um Jeep Renegade preto.
Conforme o boletim de ocorrência ao qual a Folha teve acesso, o PM confessou espontaneamente aos colegas ter atirado na mulher, identificada como Eurídice Augusta de Souza.
Procurada, a defesa do policial disse que não iria se manifestar no momento, tendo em vista que acabou de assumir o caso.
Segundo o relato de Paifer registrado no boletim, ele mantinha um suposto relacionamento extraconjugal com a vítima havia aproximadamente dez meses.
Segundo o PM preso, na terça-feira ele estava com a esposa em um supermercado quando avistou Eurídice. Paifer afirmou que achava estar sendo seguido por ela e foi para casa, na mesma região onde a mulher havia alugado um imóvel.
Durante o trajeto, conforme o documento, Eurídice os teria seguido e parado abruptamente o veículo ao lado do carro do PM. A mulher, então, teria começado a gesticular e a supostamente ofendê-lo.
Nesse momento, Paifer desceu do carro, sacou uma pistola Glock calibre .40 e atirou quatro vezes contra a mulher. O veículo, em movimento, atingiu um objeto na via.
Paifer indicou aos policiais onde estava a arma usada no crime e informou que tinha outro revólver em casa. A arma foi localizada, assim como um revólver com numeração raspada e um simulacro de pistola.
O boletim registra que o PM se recusou a passar por exame residuográfico, que poderia detectar a presença de pólvora nas mãos.
O policial permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Ele foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.
O caso foi registrado como feminicídio, violência doméstica e posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito na Delegacia Seccional de Avaré.
Novo comandante
A coronel Glauce Anselmo Cavalli foi a primeira mulher a assumir, em 29 de abril, o comando da Polícia Militar de São Paulo em 194 anos de corporação. A oficial afirmou na ocasião que o combate à violência doméstica será prioridade em sua gestão.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que a escolha de uma mulher para o comando da PM era um sinal da gestão para fortalecer o combate à violência doméstica, cujos crimes registraram recordes no estado em 2025. Foram 266 feminicídios --a maior marca desde o início da série histórica, iniciada em 2018.
No primeiro trimestre deste ano, os dados voltaram a apresentar recorde. O mesmo padrão foi notado nos registros nacionais de feminicídio.