PÓS-RESGATE

Timmy morreu? Falta de sinais da baleia preocupa especialistas

da Folhapress
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Reprodução/TV Globo
O último registro de Timmy foi feito na manhã de sábado, 2 de maio
O último registro de Timmy foi feito na manhã de sábado, 2 de maio

Timmy, a baleia que foi libertada após passar mais de um mês encalhada no Mar Báltico, pode estar morta. O alerta foi feito por especialistas do Museu Oceanográfico Alemão.

A falta de sinais do rastreador instalado em Timmy após o resgate aumentou a suspeita de que o animal não tenha sobrevivido. Além disso, especialistas destacam que a baleia já estava debilitada devido ao tempo em que ficou presa em águas rasas.

"Como a baleia estava extremamente debilitada e encalhou repetidamente após tentativas anteriores de resgate em um curto período de tempo, é muito provável que ela não tivesse forças suficientes para nadar em águas profundas por muito tempo e, portanto, não esteja mais viva", disse o Museu Oceanográfico Alemão, em comunicado.

O último registro de Timmy foi feito na manhã de sábado, 2 de maio, por meio de imagens de drone captadas pouco após a soltura em alto-mar. Desde então, o caso passou a gerar críticas sobre a condução da operação.

A baleia foi libertada a cerca de 70 quilômetros ao norte da costa da Dinamarca, em uma rota marítima bastante movimentada. Segundo a veterinária Kirsten Tönnies, que fazia parte da tripulação envolvida no transporte do animal, Timmy foi solta cedo demais e longe da costa, considerando seu estado de saúde. Isso pode ter aumentado o estresse e acelerado o esgotamento físico da baleia.

Especialistas também questionam o tipo de rastreador utilizado no animal. O biólogo marinho Peter Madsen, da Universidade de Aarhus, afirmou ao jornal BILD que "sinais vitais precisos exigiriam sensores especializados".

Em nota, a advogada Constanze von der Meden, representante da iniciativa privada responsável pela operação, afirmou que o aparelho não está funcionando como deveria. "Não sabemos se o GPS foi danificado durante a operação, quando nossa equipe não estava presente. Estamos investigando", declarou na segunda-feira (4).

Apelidada de Timmy, a baleia-jubarte encalhou em março na costa da Alemanha e comoveu o mundo. Media cerca de 12 metros e pesava aproximadamente 12 toneladas.

Após vários dias presa em bancos de areia, equipes oficiais realizaram uma complexa operação de resgate com o uso de dragas. Timmy conseguiu se libertar, mas acabou encalhando novamente pouco tempo depois.

As autoridades decidiram então interromper temporariamente as tentativas de salvamento. A ideia para permitir que o animal descansasse e recuperasse forças antes da subida da maré.

Em abril, alguns especialistas passaram a defender o fim das operações, alegando que insistir em novos resgates poderia configurar crueldade animal. Mesmo assim, Timmy continuou viva e uma nova missão foi organizada com financiamento privado, estimado em cerca de 1,5 milhão de euros.

Walter Gunz, cofundador da rede MediaMarkt, liderou a iniciativa e rebateu as críticas. "Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance."

Em meio à pressão da opinião pública e da imprensa alemã, Timmy acabou sendo transportada até alto-mar em uma espécie de balsa aquática rebocada por embarcações. A operação aconteceu no sábado (2).

A morte da baleia ainda não foi oficialmente confirmada, mas o caso tem gerado debate entre cientistas e ambientalistas. Segundo a Euronews, organizações de conservação marinha passaram a usar o episódio como exemplo para alertar sobre as condições precárias dos mares do Norte e Báltico.

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