Mais de 250 escorpiões são encontrados em condomínio de SC
Uma infestação de escorpiões-amarelos em um condomínio de Biguaçu, na Grande Florianópolis, levou autoridades de saúde a intensificarem ações de monitoramento no local após a captura de centenas de animais em poucos dias. De 109 animais capturados no primeiro dia, o número saltou para mais de 250 nas ações seguintes.
O residencial, que abriga cerca de 500 moradores distribuídos em 160 apartamentos, chegou a registrar escorpiões até no quarto andar de um dos prédios. As primeiras ações ocorreram em 14 de abril, quando equipes da Vigilância em Saúde Ambiental e Zoonoses recolheram 109 escorpiões no condomínio.
Nos dias seguintes, novas inspeções ampliaram o número de animais capturados. Em outra operação realizada na mesma semana, mais 115 exemplares foram encontrados.
Com novas visitas técnicas, o total subiu ainda mais e já ultrapassa 250 escorpiões recolhidos no local. A atualização foi feita pelas autoridades de saúde.
Apesar da quantidade de animais encontrados, até o momento não há registro de picadas em moradores. Um cachorro chegou a ser atingido por um escorpião, o que ajudou a acionar o alerta inicial e levou à mobilização das equipes de vigilância.
A diretora de Vigilância em Saúde Ambiental de Biguaçu, Paula Andreia Echer Dorosz, afirma que a infestação pode ter se iniciado anos antes de ser identificada. "Essa é a principal hipótese até o momento. Foi a partir desse período que os animais voltaram a ser vistos e, assim que a Vigilância tomou conhecimento da situação, as ações de monitoramento e controle foram iniciadas", explicou em nota.
Escorpiões podem ter se instalado em frestas na base dos prédios. Segundo a equipe técnica, eles teriam encontrado ali abrigo e condições para se reproduzir.
Outro fator que pode ter contribuído para a aparição recente dos animais foi uma dedetização contra baratas realizada no condomínio. Como esses insetos são a principal fonte de alimento dos escorpiões, a redução da oferta pode ter feito os animais saírem dos esconderijos em busca de comida.
Diante do aumento de ocorrências, a Prefeitura de Biguaçu divulgou orientações à população nas redes sociais. "O monitoramento da Vigilância em Saúde Ambiental e Zoonoses de Biguaçu indica aumento no aparecimento desses animais no município, reforçando a importância de medidas simples dentro e fora de casa", informou a prefeitura em nota publicada no Instagram.
Os animais encontrados no condomínio foram identificados como escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), considerado o principal responsável por acidentes com escorpiões no Brasil. De acordo com o Instituto Butantan, a espécie pode chegar a cerca de sete centímetros de comprimento e apresenta pernas e cauda amarelo-clara, com tronco mais escuro.
Uma característica que preocupa especialistas é a capacidade de reprodução sem a necessidade de macho. Nesse processo, chamado partenogênese, as fêmeas conseguem gerar descendentes sozinhas. Cada escorpião pode ter aproximadamente dois partos por ano, com cerca de 20 a 25 filhotes por gestação, o que facilita a rápida expansão das populações.
Picadas podem causar sintomas graves. Segundo o Ministério da Saúde, o chamado escorpionismo ocorre quando o animal injeta veneno por meio do ferrão.
Quadro costuma provocar dor intensa imediatamente após a picada, podendo ser acompanhado de vermelhidão e formigamento no local. Em casos mais graves, principalmente em crianças, podem surgir sintomas como vômitos, tremores, sudorese intensa, alterações cardíacas e dificuldade respiratória. O tratamento específico é feito com soro antiescorpiônico e deve ser administrado em ambiente hospitalar sob supervisão médica.