Ramagem disse antes de prisão que só voltaria ao BR com anistia
O ex-deputado federal cassado Alexandre Ramagem foi detido pelo ICE, serviço de imigração dos EUA, de acordo com a Polícia Federal, nesta segunda-feira (13).
Ramagem vive na Flórida com a família e é considerado foragido da Justiça brasileira, após ter ido para os Estados Unidos no ano passado. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-diretor da Abin saiu de forma clandestina do Brasil pela fronteira com a Guiana.
Em março, ele esteve no CPAC, maior evento conservador do mundo, onde atuou como comentarista pela Revista Timeline, do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos e outros jornalistas. Durante o evento, entrevistou políticos brasileiros presentes no local e também fez análises para o site.
Ele não quis dar entrevista a jornalistas brasileiros, mas disse que estava tentando trabalhar como repórter e disse que só voltaria ao Brasil com anistia.
A condenação definitiva do núcleo central da trama golpista, do qual Ramagem fazia parte, foi decretada em 25 de novembro.
Dois meses antes, ele teria se mudado para um condomínio de luxo na Flórida, enquanto gravava vídeos e votava à distância nas sessões da Câmara, amparado por um atestado médico.
Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura do processo de extradição.
Nesta segunda (13), Allan dos Santos afirmou em redes sociais que "nenhum perseguido por [Alexandre de] Moraes ficará desamparado".
"Rezem por Ramagem, que tudo será resolvido. As leis americanas são bem claras e tudo será conduzido dentro das leis americanas", declarou. Depois, afirmou que Ramagem encontra-se em procedimento "administrativo de imigração nos Estados Unidos, sem qualquer acusação criminal. A defesa já está atuando e o caso segue os trâmites legais perante as autoridades competentes".
A reportagem questionou o ICE sobre a prisão de Ramagem, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. No site, o nome do ex-deputado consta como "sob custódia do ICE".
Já o Departamento do Estado, que seria a pasta responsável pelo processo de extradição nos EUA, afirmou por meio de um porta-voz que não comenta "sobre pedidos específicos de extradição, incluindo se um pedido foi ou não feito em um caso específico".