Especialistas em defesa ouvidos pela revista britânica The Week avaliam que o mundo pode estar se aproximando de um conflito global de grandes proporções, ainda que sem uma declaração formal de guerra. A percepção é de que crises simultâneas deixaram de ser episódios isolados e passaram a se conectar por alianças militares, interesses estratégicos e disputas geopolíticas.
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Segundo a publicação, integrantes da Otan e analistas veem uma disputa estrutural em curso envolvendo Estados Unidos e um eixo formado por China, Rússia e Irã. O embate ocorre por meio de guerras indiretas, pressão econômica e disputas por áreas estratégicas.
No Oriente Médio, a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel é apontada como um possível ponto de inflexão. Há temor de ampliação do conflito caso outras potências se envolvam. A Rússia mantém confrontos na Ucrânia e intensifica movimentos militares próximos a países da Otan. Já a China amplia pressão sobre Taiwan, enquanto a Coreia do Norte acelera testes militares e cooperação com Moscou.
Embora parte da opinião pública em países ocidentais considere provável uma terceira guerra mundial na próxima década, analistas divergem sobre a caracterização do momento atual como um conflito global formal. A avaliação predominante é de um cenário de escalada gradual e interligada.
Possível impacto para o Brasil
De acordo com análises do Ministério da Fazenda e do Banco Central em relatórios sobre riscos globais, uma guerra de grande escala teria efeitos econômicos relevantes para o Brasil.
Entre os principais impactos apontados por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial estão:
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Alta nos preços do petróleo, com reflexo direto sobre combustíveis e inflação
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Elevação dos custos de importação, especialmente de fertilizantes e insumos industriais
Oscilações cambiais, com pressão sobre o dólar
Redução do comércio internacional, afetando exportações brasileiras
Instabilidade nos mercados financeiros
O Brasil importa parte significativa de fertilizantes da Rússia e depende do comércio marítimo internacional, o que o torna sensível a bloqueios de rotas estratégicas e sanções econômicas amplas.
Especialistas ouvidos por instituições multilaterais ressaltam que o país não integra alianças militares envolvidas nos atuais focos de tensão, mas sofreria efeitos indiretos pela integração à economia global.
Com informações do The Week