ASSALTO E MORTE

PM pensou que a vítima era o criminoso, diz viúva do empresário

Por | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução de vídeo/JovemPam
Atingido com tiro na nuca e outro nas costas, o empresário teve morte instantânea.
Atingido com tiro na nuca e outro nas costas, o empresário teve morte instantânea.

O empresário de 58 anos morto ao ser baleado por um policial militar de folga durante uma tentativa de assalto na tarde de sábado (28), no Butantã, zona oeste de São Paulo, foi confundido com um dos ladrões, segundo a mulher da vítima. Atingido com tiro na nuca e outro nas costas, ele teve morte instantânea.

Leia mais: PM de folga atira ao ver roubo, mata a vítima e fere criminoso

O policial responsável pelos disparos, Ítalo Feitoza Hattori, 27, foi preso em flagrante sob a suspeita de homicídio culposo (sem intenção). Ele foi liberado após pagamento de fiança de R$ 3 mil. Durante interrogatório, o PM preferiu permanecer em silêncio e disse que só se manifestaria em juízo.

A polícia não divulgou se ele já constituiu advogado, por isso não foi possível acionar a sua defesa. A secretaria da Segurança Pública afirmou que o caso é acompanhado pelas Corregedorias e que a Polícia Militar atua com rigor quando há indícios de ilegalidade por parte de algum agente.

Durante a intervenção, um suspeito também foi baleado e morreu momentos depois. Ele foi posteriormente identificado como Gabriel Farias Luiz, 28. A reportagem não conseguiu contato com alguém que o representasse.

Conforme a versão oficial, o empresário Celso Bortolatto de Castro, 58, e a mulher, Rosmary Javelberg, 65, retornavam de um passeio de moto à cidade de São Roque, interior do estado, quando foram abordados por dois assaltantes também em uma motocicleta. O garupa estava armado.

Ao perceber o assalto, na esquina das ruas Dráusio e Sapetuba, Castro tentou fugir, mas acabou se desequilibrando e caiu com a moto. Rosmary, conforme contou aos policiais, estava na garupa e conseguiu sair debaixo do veículo. Em seguida, ela correu pela rua Sapetuba.

Durante a fuga, Rosmary retirou o capacete, olhou para trás e viu que seu marido também corria. Em seguida, percebeu que ele voltou até onde estava a moto caída e, de acordo com o registro policial, ouviu Celso dizer a Gabriel algo como: "Você não vai conseguir levantar a moto".

Na sequência, ela afirma que um terceiro homem, o policial militar, se aproximou e atirou contra Celso, atingindo-o pelas costas. "Você atirou no meu marido!", teria gritado.

Segundo ela, o agente demonstrou surpresa e imediatamente atirou em direção a Gabriel, que tentava fugir conduzindo a motocicleta. O suspeitou foi atingido duas vezes no tórax e uma no braço.

Rosmary, então, disse que o agente se aproximou, identificou-se como policial militar e informou que já havia acionado o resgate.

A arma utilizada pelo PM, uma pistola calibre .40 da corporação, foi apreendida para perícia. A investigação ficará a cargo do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Em nota, a secretaria da Segurança Pública afirmou que todas as ocorrências de mortes decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário.

A pasta ainda afirma que todas as provas obtidas durante a investigação, incluindo as imagens das câmeras corporais, serão compartilhadas com os órgãos de controle e destaca que a "PM é uma instituição legalista e atua com absoluto rigor e celeridade sempre que há provas de ilegalidades por parte de seus integrantes."

O suspeito que conseguiu fugir não foi localizado até a publicação deste texto.

Comentários

Comentários