PEDANTISMO?

Texto rebuscado rende nota zero, e aluno processa reitor da USP

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Marcos Santos/USP Imagens/Imagem ilustrativa
 Após questionar o resultado, o candidato afirma que recebeu resposta genérica.
Após questionar o resultado, o candidato afirma que recebeu resposta genérica.

O estudante Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, recebeu nota zero na redação da segunda fase da Fuvest 2026 e ingressou na Justiça para solicitar esclarecimentos sobre a correção. Ele disputava uma vaga no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e foi eliminado do processo seletivo.

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A redação começou com a frase: “Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.” Após questionar o resultado, o candidato afirma que recebeu resposta genérica e, com apoio da mãe, que é advogada, protocolou mandado de segurança. “Ainda estou aguardando uma resposta do reitor da USP. Só queria entender minha nota”, declarou.

Em nota, a Fuvest informou que o candidato foi eliminado porque o texto não abordou o tema proposto, cuja frase temática era “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”. Segundo a instituição, “Não há indícios suficientes que demonstrem essa compreensão [do tema] e desenvolvimento (...), o que prejudica sensivelmente a pertinência das informações e da efetiva progressão textual". A fundação também afirmou que a redação passou por mais de três avaliações cegas e que não há possibilidade de revisão da nota.

Professores ouvidos pelo g1 apontaram que o excesso de vocabulário rebuscado comprometeu a clareza e a argumentação. Segundo eles, o texto apresenta acúmulo de referências e conceitos sem conexão direta com a proposta temática, dificuldade de identificar tese e desenvolvimento consistente, além de priorizar erudição em detrimento da construção de posicionamento claro sobre o tema.

Abaixo, a íntegra da redação entregue pelo candidato:

Intentona pela Reconstituição da Interioridade

Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito. Djaimilia de Almeida concebe, em A Visão das Plantas, valer-se a epísteme lírico-narrativa de concepções hermenêutico-historiográficas, as quais decorrem da dialética antagônica e maquiavélica ao postularem a teleologia hodierna. Sob essa perspectiva, Ferdinand de Saussure preconiza a relação simbiótica entre significado e significante a partir da coesão engendrada pelo domínio tradicional concomitante ao coercitivo. Entretanto, à medida em que impera a dinamicidade, fragilizam-se axiomas em difusas postulações. Nesse ínterim, ressoa o sofrer recôndito na fragmentação identitária ao se concernir ao perdão - significado - múltiplos significantes: o condicionamento e a limitação, seja em razão da violência simbólica ou da tecnocracia.

Nessa vereda, sobrepuja-se a subjetividade ao “modus vivendi” da superestrutura cívico-identitária. Articula a dialética bourdiana - de Pierre Bourdieu - a internalização de signos culturais, fundamentados por efemérides violentas, a partir da impotência reflexiva inerente ao sujeito-interlocutor, o qual se resigna à unidimensionalidade distópica que o cerca. Dessa forma, transfigura-se a universalidade associada ao imperativo categórico no perdão condicionado: busca incessante por relegar a outrem o esvaziamento eudaimônico da individualidade esvaziada.

Ademais, nota-se haver a instrumentalização da razão a partir do Antropo-tecno-ceno - era em que ocorre a comodificação cultural a partir do uso de emergentes adventos tecnológicos. Nesse ínterim, Michael Sandel postula ser promovida pela tecnocracia a associação de concepções desenvolvimentistas à égide capitalista, ocasionando a negligência da seguridade social. Assim, desnuda-se o perdão limitado como sendo uma intentona à valorização do indivíduo cujo “status quo” encontra-se invisibilizado, uma vez que ocorre a busca mercadológica pelo perdão.

Diante do exposto, revela-se a tendência, no espectro contemporâneo, à fragmentação da “psique” coletiva, sendo o “perdão” a elucidação de sua fenomenologia. Nesse sentido, é diminuída a grandiloquência condoreira pela tecnocracia e pela violência simbólica, sendo o sofrer recôndito o seu suplício, em distintos significantes.

Com informações do g1

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