SUSTENTABILIDADE

Gerando 12 mil t de lixo, Jundiaí pode produzir combustível

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação PMJ
Apesar de não ter aterro sanitário, Jundiaí se destaca na coleta eficiente
Apesar de não ter aterro sanitário, Jundiaí se destaca na coleta eficiente

Jundiaí, que gera 12 mil toneladas de lixo por mês, especialmente resíduos recicláveis, tem capacidade de produzir Combustível Derivado de Resíduos (CDR) e gerar renda a partir dos resíduos sólidos. Essa notícia foi dada durante o evento realizado pelo Fórum Regional de Comércio, Indústria e Serviços de Jundiaí e Região (Forcis). Segundo adiantou o diretor da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Antônio Januzzi, o montante de resíduos gerados é o suficiente para gerar energia para 11 mil pessoas. 

De acordo com ele, o município tem condições de produzir CDR que é uma tecnologia que transforma parte do lixo em fonte energética. “São 12 mil toneladas de resíduos que equivalem a cerca de 2.000 MWh de energia, evitando a emissão de 9 mil toneladas de carbono, o que corresponde ao plantio de 63 mil árvores”, explicou.

O processo consiste na separação de materiais com alto poder calorífico, como papel, plástico, madeira e tecidos. Segundo ele, essa é uma tendência mundial que permite substituir combustíveis fósseis e dar nova destinação ao lixo. “O CDR é justamente aproveitar as frações mais secas do resíduo, que têm potencial de combustão, e transformá-las em combustível”, afirma. 

Apesar do potencial, especialistas alertam que a implantação da tecnologia depende de uma série de fatores. O advogado ambientalista e ex-promotor de Justiça do Meio Ambiente de Jundiaí, Claudemir Battaglini destaca que o aproveitamento energético é apenas uma das alternativas dentro de um conjunto mais amplo. “Temos que pensar em reduzir a geração de lixo, ampliar a reciclagem e trabalhar a economia circular. O que não for possível reaproveitar pode, sim, gerar energia”, diz.

Battaglini ressalta ainda que a viabilidade de uma usina depende de critérios rigorosos. “É necessário estudo de impacto ambiental, licenciamento e escolha adequada da área. Não pode ser próximo à Serra do Japi, mananciais ou áreas residenciais. Além disso, a tecnologia precisa garantir que não haja poluição atmosférica”, explica.

Atualmente, Jundiaí não possui aterro sanitário próprio e envia seus resíduos para Cajamar e Paulínia, o que gera custos com transporte. Segundo o gerente da Cetesb em Jundiaí, Domenico Tremaroli, o cenário exige novas soluções alinhadas à legislação nacional. “O plano nacional prevê que, até 2040, até 50% dos resíduos deixem de ir para aterros e passem a ser aproveitados como energia, combustível ou insumo”, afirma.

Ele também aponta que soluções regionais podem ser mais viáveis. “Jundiaí tem potencial, mas a integração com municípios da região pode fortalecer o projeto e torná-lo financeiramente mais viável”, ressalta.

No estado de São Paulo, a discussão ganha ainda mais relevância diante do volume expressivo de resíduos: são cerca de 42 mil toneladas por dia. A expectativa é que o novo Plano Estadual de Resíduos Sólidos, em elaboração, amplie o aproveitamento desses materiais e incentive a geração de energia a partir do lixo. Para os especialistas, o desafio agora é transformar o potencial em realidade. “O lixo deixou de ser apenas um problema. Hoje ele é um ativo, tem valor econômico e ambiental. Precisamos avançar nesse debate o quanto antes”, conclui Domenico. 

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