A realização do sonho de ter um bar e restaurante tornou-se um pesadelo para o casal de empreendedores Luis Henrique Silva e Anna Beatriz Vogl. Com apenas cinco meses de operação, o "Casarão", localizado no Jardim Paulista, em São José dos Campos, foi condenado à demolição após um vazamento na rede da Sabesp comprometer sua estrutura.
Quatro meses depois, a família enfrenta desemprego e dívidas, enquanto aguarda uma indenização para reverter os prejuízos.
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O incidente
O Casarão, que funcionava em um imóvel alugado na esquina das ruas Iara e Ceci, foi alagado no dia 12 de novembro de 2025.
Uma tubulação da Sabesp se rompeu por causa de um vazamento e levou o solo a ceder. Um grande buraco tomou a via e comprometeu não só o trânsito local, mas também a estrutura do estabelecimento.
Anna conta o que viu ao entrar no salão após o incidente. “Avistei uma rachadura estranha na janela colorida que fica logo na estrada e avisei o Henrique que logo avistou outra rachadura em outro ponto. Fomos entrando e observando inúmeros pontos rachados pelo teto e parede e percebemos que tinha algo muito errado acontecendo e já chamamos os funcionários da Sabesp que estavam por ali para ver a situação", contou ela.
Segundo Luis Henrique, a Sabesp levou dois dias para concluir o reparo, mas houve reincidência. "Eles levaram 2 dias para fecharem o buraco e resolver o vazamento. Pois quando eles haviam fechado o primeiro buraco, houve um novo rompimento e eles tiveram que reabrir tudo, consertar e fechar novamente".
Demolição
Luis afirma que o grande volume de água infiltrada comprometeu a fundação e que o imóvel será demolido. O OVALE teve acesso ao laudo técnico de vistoria preliminar realizado pela própria Sabesp, que confirma o comprometimento estrutural:
"Após vazamento de água na calçada na quarta-feira (12/11/2025) ocorreu formação de rachaduras nas paredes, lajes, pisos junto às portas e janelas, nas paredes da cozinha da divisa com os fundos. Abertura de rachaduras no piso interno e laje. Formação de ocado nos pisos, inclinação no piso no sentido da rua. Interditado pela defesa civil. Durante o serviço foi constatado um grande buraco", diz o laudo. O documento também afirma que a responsabilidade da Sabesp seria apurada.
Para abrir o negócio, Anna Beatriz abandonou sua profissão e o casal investiu todas as economias na reforma do ponto. Com a interrupção repentina das atividades, perderam a única fonte de renda para sustentar dois filhos pequenos, de 1 e 3 anos.
Henrique relata problemas com débitos em contas de serviços essenciais na residência da família, além do prejuízo de todo o capital investido sem possibilidade de retorno.
Descaso
Diante dos fatos, Luis Henrique e a esposa apontam descaso da Sabesp em relação ao transtorno causado. Declaram receber respostas vagas aos questionamentos e nunca um prazo para pagamento da indenização de lucros cessantes, que entendem por direito. Esse dinheiro visa compensar o faturamento não alcançado por conta do fechamento do espaço.
OVALE acessou as mensagens trocadas ao longo dos meses com a Sabesp. Os contatos tratam do envio de documentos como contratos de locação, notas fiscais e fluxo de caixa e da busca por posicionamento.
Em uma das respostas, a empresa afirmou estar com “alta demanda”, o que pode ocasionar atrasos no retorno de solicitações. Diz ainda que a documentação está "sob análise do Departamento Jurídico, que independe de ação local".
Os proprietários julgam que respostas como "está em análise", com justificativas de "alta demanda", ultrapassam o limite do razoável para quem perdeu seu sustento.
Eles reivindicam posicionamento definitivo e celeridade. Buscam o pagamento para quitar as dívidas acumuladas e retomar a vida e os sonhos com tranquilidade.
O outro lado
Por meio de nota, a Sabesp informou que mantém contato com a proprietária do imóvel e que aguarda que ela "envie a documentação necessária para dar continuidade à análise".
Ainda segundo a companhia, o reparo no vazamento foi concluído no dia 13 de novembro, dia seguinte ao acionamento da Prefeitura.
A empresa "pede desculpas pelos transtornos causados"e encerra a nota lamentando o ocorrido.